Por que ‘Guerreiras do K-Pop’ virou um fenômeno de moda para além da Netflix

por Miriam Spritzer

Desde seu lançamento na Netflix, "Guerreiras do K-Pop" (K-Pop: Demon Hunters) se tornou um fenômeno global, conquistando milhões de espectadores ao redor do mundo com sua combinação única de música, comédia, ação e uma pitada de moda.  

O filme animado que mistura o universo do K-pop com caça a demônios rapidamente se destacou nas plataformas de streaming, gerando discussões acaloradas nas redes sociais e conquistando uma base de fãs dedicada que já celebra os personagens através de fan arts, cosplays e covers das músicas. 

Durante o Savannah Film Festival, tivemos a oportunidade de nos encontrar com Maggie Kang, a diretora por trás dessa produção inovadora, para uma conversa exclusiva no charmoso Hotel Perry Lane. Maggie compartilhou os bastidores da criação do filme, suas inspirações na moda de alta-costura e o que significa ver seu trabalho se transformar em um fenômeno cultural.

 



confira a entrevista completa com Maggie Kang:

STL: Como vocês decidiram as prioridades do filme? 

Maggie Kang: Para mim, tudo começa com o conceito. Quero algo comercializável, mas que eu sinta que nunca vi antes, que inspire e faça eu me apaixonar genuinamente. E uma garota caçadora de demônios que é parte demônio, lutando com essa dualidade faz isso. Construímos a história e o personagem de Rumi, aprofundando cada vez mais. Em cada cena que escrevemos, queríamos nos divertir e balancear com algo leve, mesmo lidando com temas sombrios. Se algo não funcionava em termos de comédia ou emoção, tínhamos uma regra: tentávamos algumas vezes e, se não funcionasse, cortávamos.

STL: Animação geralmente leva muito tempo, e este é quase um musical. Como vocês conseguiram fazer tudo tão rápido?

Maggie Kang: Com animação, há tanto planejamento envolvido e construção da história, essa é a parte que leva mais tempo. Uma vez que você entra no digital e está criando o filme em CG, leva cerca de dois anos e meio, relativamente rápido. Quando você trabalha com um lugar como a Image Works, eles são profissionais incríveis. Estávamos fazendo pesquisa e desenvolvimento ao mesmo tempo que produção, o que não acho que aconteça em nenhum outro lugar. 

STL: A música também tem um importante papel no filme. Como foi montar esta parte?

Maggie Kang: Sempre apresentamos como um não-musical, mas é um musical. Não estamos cantando sentimentos literalmente, são letras pop com nuances que podem funcionar no nível literal, mas também movem a história, que é a essência do que é um musical. Isso foi realmente desafiador escrever. Honestamente, começamos as músicas um pouco mais tarde do que pensávamos que precisávamos, cerca de um ano, o que é bastante tempo. Algumas foram mais fáceis. "Your Idol", acho que foi a segunda versão que ouvimos e gostamos. Já estava no filme. Para "Golden", por exemplo, demos todo o background da Rumi. É ótimo ver indo tão bem porque foi uma música tão difícil de escrever, e foi a última que conseguimos. Essencialmente, é a música “eu quero" da Rumi que você tem nos musicais. Não percebemos realmente que seria essa música que contaria o background dela, seus desejos, e essencialmente conta um pouco do background de todas as garotas. E o que elas querem: elas pensam que conseguiram, e o ouro é uma falsa vitória. É uma pista falsa, porque percebemos que na verdade não vai ser ouro. A casa não é dourada no final, é mais uma cor de arco-íris.

Guerreiras do K-Pop exibem estilo futurista com jaqueta cropped amarela, top verde e saia laranja
Foto: Guerreiras do K-Pop ((Divulgação))

STL: O filme tem diversos elementos de moda, o que é raro em animação, onde geralmente os personagens estão sempre com o mesmo figurino.

Maggie Kang: Posso dizer que isso é definitivamente é uma razão orçamentária. É muito caro fazer todas as roupas, mas isso foi uma grande parte do nosso orçamento porque elas são ídolos de K-pop. Precisamos mudar as roupas delas o tempo todo. Para cada música, precisávamos de um look diferente. Moda é uma grande parte dessa cultura, desse mundo, então era muito importante. E também maquiagem, ter diferentes looks de maquiagem. Arte de unhas. Meu Deus, isso foi tão divertido. E ter um look sem maquiagem, isso também era um look.

STL: Quais foram as inspirações para estes elementos estéticos do filme?

Maggie Kang: Em termos do lado do design de moda, eu adoro que estamos falando sobre isso porque fomos muito inspirados por fotografia editorial, até para a estética de cores do filme, que é muito diferente para um filme animado. Sou apaixonada por esse mundo e acho que se não fizesse animação, teria ido para moda. Para os shows, puxamos inspiração de McQueen, Givenchy, Mugler. Até quando elas se vestem para ir ao programa de variedades, demos ao nosso artista, Scott Watanabe, muitas referências de Mugler e Jean-Paul Gaultier. As ombreiras douradas, foi muito Alexander McQueen. Acho que até Vivienne Westwood para aquela silhueta. Mas na verdade é uma homenagem a esses designers, mas também é inspirado em armadura coreana dos anos 1600, onde tinham essas coisas grandes nas ombreiras. Estamos puxando referências da moda, mas também da cultura e história coreana.

STL: E como está sendo vendo versões de cosplay destes visuais?

Maggie Kang: É incrível. Até nas sessões individuais, tivemos um gostinho de todas as crianças se vestindo. Não só crianças, mas todos os fãs se vestindo. No caso de Rumi, o figurino é o arco dela no filme, então vai ser interessante ver qual estágio dessa jornada as pessoas vão retratar. Porque isso vai dizer muito sobre você como cosplayer, como alguém que está se vestindo. E com os meninos, será que vamos ver a versão demônio ou a versão K-pop? Acho que vai ser tão divertido ver todas essas versões diferentes dos personagens e também os pijamas. Há tantas coisas para escolher. Só quero que as pessoas se divirtam.