Enquanto os holofotes estão voltados para as disputas que movimentam Wimbledon 2026, uma outra competição acontece fora das quadras: a dos melhores looks. Basta uma rápida olhada nas arquibancadas — ou nas entradas triunfais dos atletas — para perceber que o torneio britânico tem uma relação única com a moda. Diferente dos outros Grand Slams, Wimbledon parece seguir um código estético próprio, onde alfaiataria de verão, vestidos de linho, polos impecáveis e, claro, muito branco dominam a cena.
Não é por acaso. Wimbledon é um dos eventos esportivos mais tradicionais do mundo e faz da elegância parte da experiência. Entre atletas, celebridades, membros da família real e convidados do Royal Box, o torneio se transforma, ano após ano, em uma verdadeira vitrine do estilo britânico. E a edição de 2026 não está sendo diferente. Enquanto nomes como Naomi Osaka e Marta Kostyuk transformam a chegada às quadras em um momento fashion, celebridades e convidados apostam em produções que traduzem perfeitamente o dress code não oficial do verão inglês.

O branco virou tradição antes mesmo de virar uniforme
A história é mais antiga do que você imagina. Começa em 1877, ano em que Wimbledon foi criado. Na Inglaterra vitoriana, demonstrar suor em público era considerado deselegante, especialmente entre as classes mais altas. Como o branco disfarçava melhor as marcas de transpiração, ele passou a ser adotado como a cor ideal para a prática esportiva.
O que começou como uma convenção social acabou se transformando em uma das regras mais conhecidas do esporte. Hoje, Wimbledon exige que os atletas usem roupas “quase inteiramente brancas”, com detalhes coloridos mínimos e restrições que se estendem a bonés, meias, munhequeiras, tênis e até peças usadas durante os treinos. Desde 2023, a única flexibilização importante permite que as atletas utilizem shorts escuros por baixo das saias e vestidos, uma mudança pensada para oferecer mais conforto durante o período menstrual.
Nada para vestir?
Apostamos que o problema não é seu armário, mas a falta das inspirações mais legais e as dicas certas. Assine nossa newsletter e nos agradeça depois
Se em outros torneios as marcas exploram estampas, recortes e cores vibrantes, em Wimbledon o desafio é outro: criar impacto dentro de uma paleta extremamente limitada.
É justamente essa restrição que faz os uniformes parecerem tão sofisticados. Sem a cor como protagonista, entram em cena tecidos, diferentes texturas, pregas, golas retrô e até mesmo unhas ou joias. O resultado são produções minimalistas, mas extremamente refinadas, que ajudam a consolidar a estética conhecida hoje como tenniscore.
A grama perfeitamente aparada do All England Club também faz sua parte. O contraste entre o verde intenso das quadras e os uniformes totalmente brancos cria uma identidade visual que nenhum outro torneio consegue reproduzir.

Naomi Osaka prova que ainda existe espaço para criatividade
Mesmo seguindo regras rígidas, alguns atletas conseguem transformar Wimbledon em uma plataforma para contar histórias através da moda.
Nesta edição, Naomi Osaka roubou a cena antes mesmo de entrar em quadra ao surgir com uma produção desenvolvida pela estilista japonesa Hana Yagi. Inspirado em trajes cerimoniais japoneses, o look branco trazia bordados de tsurus e flores de cerejeira, reinterpretando elementos tradicionais dentro das exigências do torneio. A tenista explicou que enxerga o dress code de Wimbledon não como uma limitação, mas como um convite para explorar diferentes texturas e silhuetas.

Entre os homens, Novak Djokovic também encontrou uma maneira de imprimir personalidade ao tradicional uniforme branco. O sérvio entrou em quadra usando um conjunto assinado pela Lacoste, marca da qual é embaixador, mas foi fora das quatro linhas que o styling chamou atenção. Para a chegada ao All England Club, o tenista apostou em um blazer branco personalizado com detalhes em verde — uma referência sutil às cores de Wimbledon — e um patch bordado com as iniciais “ND”, o icônico crocodilo da grife e uma cabra, uma brincadeira com o apelido GOAT (“Greatest of All Time“), frequentemente associado ao atleta. Como toque final, a peça ainda escondia uma mensagem especial no forro interno.
Se o branco continua sendo o protagonista absoluto de Wimbledon, os pequenos detalhes foram responsáveis por alguns dos momentos mais fashion desta edição. Taylor Townsend, por exemplo, apostou em um dos visuais mais românticos do torneio ao entrar em quadra com um vestido de renda de saia balonê, finalizado com um delicado laço branco nos cabelos.
Já entre os atletas patrocinados pela Nike, o destaque ficou para uma novidade em comum: tecidos vazados com acabamento em eyelet. O corta-vento usado por Jannik Sinner durante a entrada em quadra e o conjunto desenvolvido especialmente para o retorno de Serena Williams apostam no mesmo recurso, que cria pequenos recortes perfurados ao longo da peça.
Você também vai gostar: Serena Williams volta às quadras de Wimbledon: relembre os melhores looks
Outra atleta que mostrou como a moda de luxo vem ocupando espaço no circuito foi Coco Gauff. Embaixadora da New Balance e rosto da colaboração entre a marca esportiva e a Miu Miu desde 2025, a norte-americana voltou a vestir um conjunto criado em parceria pelas duas labels para Wimbledon 2026. Respeitando a tradição do branco, os looks exploram diferentes silhuetas — entre vestido, saia plissada e jaqueta corta-vento — e priorizam modelagem e caimento, provando que o minimalismo também pode ser extremamente fashion. A coleção reforça a aproximação cada vez maior entre o universo do luxo e o esporte, movimento que Coco tem ajudado a consolidar nos últimos anos.
Do lado masculino, Taylor Fritz também roubou a cena antes mesmo do primeiro saque. Parceiro da Boss, o americano chegou ao All England Club usando um elegante terno branco de alfaiataria, em uma produção que imediatamente lembrou as icônicas entradas de Roger Federer durante seus anos de Wimbledon. O visual, usado apenas para a caminhada até a quadra, dividiu opiniões entre os fãs do esporte nas redes sociais, mas é indiscutivelmente chique.
Nas arquibancadas, o clima é de “summer chic”
Embora não exista um dress code obrigatório para o público, a atmosfera de Wimbledon faz com que a maioria dos presentes escolha produções sofisticadas e discretas. Vestidos de linho, conjuntos de alfaiataria leve, polos, camisas de algodão, mocassins, sapatilhas e acessórios clássicos dominam as arquibancadas, especialmente nas áreas VIP e no tradicional Royal Box. Chapéus muito grandes costumam ser evitados para não atrapalhar a visão de quem está atrás, enquanto peças com logotipos exagerados quase nunca aparecem.
Em 2026, os convidados também vêm reforçando esse clima de elegância descontraída. As irmãs Lady Amelia e Lady Eliza Spencer apostaram em conjuntos de linho em tons neutros durante os primeiros dias do campeonato, enquanto nomes como David Beckham, Romeo Beckham, Kate Middleton e Niall Horan apareceram com produções que equilibram alfaiataria, tecidos leves e uma cartela de cores suave.
Existe um motivo para Wimbledon continuar sendo referência quando o assunto é moda. O torneio preserva tradições que atravessam mais de um século sem abrir mão da contemporaneidade. Entre morangos com creme, quadras impecavelmente verdes, convidados ilustres e um dos dress codes mais famosos do mundo, o campeonato britânico mostra que, às vezes, um look totalmente branco pode ser muito mais marcante do que qualquer tendência colorida da temporada.

