Porque você procrastina e como acabar com a procrastinação

por The Look Stealers

Você pode ser a pessoa mais produtiva e multitasking de todas, mas certos dias não tem como fugir da procrastinação. Sabe quando você acorda e só de pensar na sua lista de tarefas ou naquele projeto específico, uma onda de pavor te acomete? Por mais consciente que você esteja de que aquilo precisa ser feito o quanto antes, acaba passando horas rolando sua For You Page do TikTok, ou limpando sua caixa de e-mail, ao invés de realmente responder algum.

A procrastinação é algo natural do ser humano, e apesar de parecer uma perda de tempo completamente irresponsável, muitas vezes ela é inevitável. Mas porque será que não conseguimos levantar da cama e lidar com nossas tarefas em certos dias? A palavra procrastinação vem do latim procrastinare - que significa 'adiar até amanhã' -, mas também é derivada da palavra grega antiga akrasia, que significa “agir contra o melhor julgamento”. A etimologia sugere que procrastinar é aceitar as consequências. E sabemos muito bem quais são elas, além de termos plena consciência de que os efeitos negativos desse atraso vão recair apenas sobre nós. Mas mesmo assim, continuamos fazendo. 

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Foto: Yuliia Diachenko (Reprodução/Instagram)

A pergunta do porque procrastinamos assombra psicólogos e estudiosos há centenas de anos. A percepção geral é que a procrastinação parte de uma falta de autocontrole, com uma combinação de má gestão do tempo e excesso de preguiça. Em outras palavras, um indivíduo que procrastina, é alguém que não está se esforçando o suficiente. Essa é uma percepção social e cultural, mas também é explorada por muitos pesquisadores. Um estudo da Universidade de Valência, mostrou que não importa quanto tempo alunos tenham para fazer um trabalho, pode ser uma semana ou um mês, a procrastinação provavelmente irá acontecer, e o mesmo acabará sendo feito em cima da hora. 

Mas, atualmente, diversos psicólogos estão contrariando essa ideia um tanto quanto intolerante. O Dr. Tim Pychyl, autor de um livro que aborda a procrastinação como tema central - The Procrastinator's Digest: A Concise Guide to Solving the Procrastination Puzzle -, acredita que o motivo de enrolarmos para lidar com nossas pendências é muito mais profundo, influenciada pela biologia do nosso organismo, nossa percepção de tempo e nossa capacidade de gerenciar as emoções.

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Foto: Masha (Reprodução/Instagram)

A explicação biológica e neurológica, é que graças ao nosso sistema límbico - calma que você vai entender - o que nos faz sentir bem agora (como evitar ou atrasar tarefas) tem uma influência mais forte e poderosa sobre nós do que o que nos faz sentir bem a longo prazo (como adiantar uma tarefa). O Dr. Pychyl disse ao The New York Times: "A procrastinação é um problema de regulação emocional, não um problema de gerenciamento de tempo". Este é um exemplo do atual viés que existe em torno da procrastinação, nossa tendência de priorizar desejos e necessidades de curto prazo sobre os de longo prazo.

Em sua essência, os estudos atuais apontam que a procrastinação está ligada à incapacidade de regular nossas emoções, por isso priorizamos o alívio de curto prazo à satisfação de longo prazo. Adiar uma tarefa faz você se sentir bem naquele exato momento porque proporciona um alívio imediato daqueles sentimentos ruins: estresse, pânico, ansiedade, entre outros. As consequências do seu eu do futuro têm pouca influência sobre o quão prazeroso é estar distraído ou absorvido em algo que não tem nada a ver com suas obrigações. Mas, todo procrastinador pode confirmar, esse alívio é de curta duração e não vale a pena, entramos nesse ciclo vicioso e repetitivo que só nos causa mais ansiedade no futuro. Então, como podemos parar de procrastinar? 

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Foto: Amy Julliette Lefévre (Reprodução/Instagram)

O primeiro passo é sempre reconhecer. Reconheça que a procrastinação não é um ato de preguiça ou uma falta de esforço, mas sim uma consequência da nossa regulação emocional. Esse é o primeiro passo para nos perdoarmos e termos autocompaixão por procrastinar. Ver esse ato dessa maneira também pode ajudar com o impulso ou a motivação que você precisa para lidar com sua lista de to-do. Uma vez que compreendemos como nossas emoções moldam a forma como respondemos a uma tarefa, fica mais fácil não deixar que nossos sentimentos ditem se podemos ou não iniciar. Você não precisa estar no estado de espírito certo para começar a trabalhar, limpar a casa ou estudar. Em vez de se concentrar nos sentimentos, divida uma tarefa em pequenas partes que não sejam tão assustadoras, e que sejam facilmente realizadas.

A procrastinação é uma parte inevitável da vida e seu impacto pode variar, mas o mais importante é lembrar que nos culpando e nos autoflagelando não iremos combatê-la. Ao encontrar maneiras de nos perdoarmos e sermos gentis com nós mesmos, iremos, aos poucos, aceitar e acabar com o hábito.

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