O chevron aparece em registros arqueológicos desde a antiguidade; na moda, virou sinônimo do clima artesanal boêmio da Missoni; teve seu ápice mais recente nos anos 2010 e agora retorna, porém, em nova roupagem.
O que é? Caracterizado pelo desenho de V em zigue-zague, o nome vem do francês chevron, que significa algo parecido com “viga”, fazendo referência ao formato de V usado na construção de telhados. Apesar de ser parecido com a espinha de peixe (herringbone), existe uma diferença: no chevron, as linhas formam “V” contínuos e bem marcados, já a espinha de peixe é formada por pequenas linhas diagonais quebradas.
Com o revival de várias tendências da década passada, era só uma questão de tempo para o chevron também ganhar espaço. Mas claro que ele não chega idêntico a como o conhecíamos; no lugar da vibe colorida e leve, em 2026, o desenho é revisitado em materiais mais encorpados e propostas distintas. Incorporado tanto à construção/textura do material quanto impresso em sua superfície.

No desfile de alta-costura Outono/Inverno 26 da Chanel, ele é reinterpretado em tonalidades sóbrias e no tradicional tweed. A padronagem já apareceu muitas vezes em bolsas da maison e, através de Matthieu Blazy, é resgatada também nas roupas.

Na Fendi de Maria Grazia Chiuri, é misturada com outras formas geométricas em vestidos fluidos, resultando em um efeito meio de ilusão de ótica.
Já no Pre-fall 26 da McQueen, o foco é enfatizar sua natureza gráfica com o V em formato oversized. Por vezes lembrando o período 60s, em outras permeada por ar Y2K, mas sempre mesclada ao caráter soturno e rock’n’roll da grife.

Na Valentino, em que o V é uma das assinaturas da casa (a inicial do fundador virou estamparia há muito tempo e, quando aparece repetida, se torna uma espécie de chevron), a bolsa Panthea é um dos best-sellers que ganham versões a cada temporada. A padronagem é elevada através de texturas ou da mistura de materiais, como visto recentemente na coleção de Inverno 2026.

No Verão 2027 de JW Anderson, a padronagem em relevo apareceu em conjuntinhos de apelo sofisticado e com styling cool.

Nem as coleções masculinas ficam de fora: no desfile da Dior Homme Verão 27, a bolsa em chevron multicolorido vem quebrar a formalidade do look final do desfile, adicionando pontos de luz e irreverência.
A própria Missoni, que usa o chevron desde os anos 60, propõe uma leitura levemente diferente para a padronagem, apostando em um glamour meio 70s com camisas e vestidos em lurex e atitude relax.
Se as passarelas já anunciam seu retorno, na prática, as formas de usar ainda estão sendo atualizadas. O colorido da Missoni é um clássico do verão e nunca sai da moda, porém, para quem busca inspirações diferentes para aderir ao chevron, a gente reuniu algumas sugestões.

A jaqueta ajustada traz o mix de chevron com listras aliado ao look de alfaiataria.

O gorro colorido é aposta certeira para deixar o visual com mais personalidade.

Em vestidos de festa, ele pode surgir estilizado. Aliás, a mistura com outras estampas gráficas é ótima maneira de trazer um update à estampa.

Em conjuntos de tonalidades neutras, o tricô em zigue-zague escapa do clichê colorido, ficando mais moderno.
Ou então, também vale se jogar em silhuetas interessantes e sobreposições para atualizar as produções praianas.

