Testei o aplicativo Doji e te conto tudo sobre minha experiência

por Izabela Suzuki

Há algum tempo, a inteligência artificial saiu do campo das previsões futuristas para ocupar um lugar fixo nas conversas de bar, nos grupos de WhatsApp do trabalho e, claro, nos nossos feeds. Entre críticas e elogios, o debate se divide: enquanto alguns apontam que ela nos deixa mais preguiçosos, outros defendem seu potencial de facilitar a rotina. 

Eu, particularmente, sigo em cima do muro (ainda tentando entender, testar e formar minhas próprias conclusões, sabe?). E foi justamente nesse espírito de curiosidade que decidi explorar o uso da IA dentro da moda, um território que não para de se reinventar. Depois de já termos testado ferramentas que transformavam looks em peças isoladas (e perceber que aquilo era só o começo), chegou a vez de colocar à prova o aplicativo que tem chamado atenção nas redes: o Doji. 

Tela do aplicativo Doji com feed de moda em branco, preto e vermelho, modelos posam em looks variados.

Foto: O que é o aplicativo Doji (Reprodução)

mas, afinal, o que é esse tal Doji App?

O Doji App, criado por Dorian Dargan (ex-Apple e Meta) e Jim Winkens (ex-Google DeepMind), é um aplicativo que usa inteligência artificial para criar representações digitais suas, como um avatar hiper-realista, a partir de fotos enviadas. Aqui entre nós, nenhuma IA é capaz de reproduzir meu rosto com fidelidade, sabia? Mas pensando bem, acho que isso me deixa aliviada. 

Bom, a partir disso, ele permite que você “experimente” roupas virtualmente, teste combinações de looks e visualize diferentes estilos no seu próprio corpo, sem precisar provar nada de fato.

Aplicativo Doji reúne modelos em poses firmes com couro, alfaiataria e tons neutros, em clima fashion contemporâneo.

Foto: Testei vários looks dentro do aplicativo! (Reprodução)

Na prática, ele entra nessa onda crescente de “provador virtual”, mas com um foco mais fashionista e visual: além de simular peças, o app também trabalha com estética, styling e até uma certa construção de identidade digital. É como se fosse um mix de closet virtual com laboratório de estilo, onde você pode brincar com tendências, testar proporções e visualizar produções antes de levá-las para a vida real.

Aplicativo Doji exibe selfies e looks casuais e fitness em tela clara; modelo posa confiante.

Foto: O aplicativo começa pedindo para você tirar fotos de vários ângulos e duas imagens de corpo (Reprodução)

como usar o Doji App e meu veredicto se é fácil de usar ou não

O aplicativo é bem intuitivo e te guia em todas as etapas logo após a instalação, então é praticamente impossível se perder. O primeiro passo é cadastrar um telefone e um e-mail; em seguida, ele pede algumas fotos do seu rosto em diferentes ângulos, além de duas imagens de corpo inteiro.

Depois disso, entra uma breve espera, cerca de 10 a 15 minutos, enquanto a plataforma processa os dados e prepara o seu perfil. E aí vem, talvez, uma das partes mais divertidas: escolher suas marcas favoritas. As opções vão de Prada a adidas e, conforme você faz suas seleções, o app sugere outras labels com uma estética parecida com a sua.

Tela do aplicativo Doji em tons neutros mostra modelo desfocada e interface elegante;

Foto: A parte divertida é selecionar várias marcas-desejo! (Reprodução)

Com tudo pronto, o app começa a sugerir looks já montados para entender se eles fazem sentido com o seu estilo — você pode aprovar e salvar na galeria ou simplesmente descartar. Também dá para explorar produções criadas por outros usuários, experimentar combinações e até trocar peças que não te agradam, seja por itens disponíveis na própria plataforma ou adicionando novos a partir de links de produtos. Prático, e até meio viciante.

Um ponto importante é que, por enquanto, o Doji está disponível apenas em inglês. Ainda assim, a navegação é tão intuitiva que isso não chega a ser um obstáculo real.

Aplicativo Doji mostra modelo posando com jaqueta bomber vermelha, shorts pretos e botas altas.

Foto: Você pode escolher looks pré prontos e depois trocar as peças que não gostar (Reprodução)

E não para por aí: o aplicativo também acompanha o timing da moda e dos grandes eventos. Um exemplo recente é o Met Gala 2026, que aconteceu na última segunda-feira (4). Alguns dos looks que passaram pelo tapete — incluindo produções de Beyoncé e Hailey Bieber — já estão disponíveis no app para você testar no seu próprio avatar.

Aplicativo Doji mostra modelos posando em vestidos coluna azul com corset dourado metálico, elegantes em fundo branco.

Foto: Sim, roubei o look da Hailey Bieber (Reprodução)

Por que choras, Hailey Bieber? Brincadeiras à parte, esse foi um dos testes que fiz com o visual da Saint Laurent escolhido pela musa, e confesso: talvez o azul esteja, sim, na minha cartela de cores.

No seu perfil, dá para acessar todos os looks salvos, e montar coleções de acordo com o seu mood e explorar combinações que, provavelmente, você nunca imaginaria no “mundo real”.

No fim das contas, minha opinião é que o Doji é um aplicativo interessante quando o assunto é brincar com o próprio estilo. Por esse lado, funciona quase como uma porta de entrada para entender melhor o que você gosta, onde pode ousar mais e quais caminhos estéticos fazem sentido para você. Ainda assim, acho difícil substituir a experiência física: provar roupas de verdade, sentir o caimento e entender proporções ainda é insubstituível e, nesse ponto, a IA ainda deixa a desejar.

o que isso nos diz sobre o futuro da IA com a moda?

Se há alguns anos a ideia de “provar roupas” sem sair de casa parecia distante (uma coisa meio provador da Cher Horowitz), hoje ela já começa a se desenhar como parte real da experiência de consumo. Ferramentas como o Doji mostram maneiras de expandir as formas de interação com a inteligência artificial. A experimentação, que sempre foi um dos pilares do vestir, ganha uma nova camada: mais rápida e, de certa forma, mais lúdica. 

Marcas como Arezzo e Zara também já estão com essas experiências nos seus próprios aplicativos e sites. É possível provar um sapatos dos sonhos sem sair de casa ou criar um look do zero. Porém, a minha pergunta aqui é: será que, no futuro, vamos consumir moda primeiro no digital para só depois levá-la ao físico? 

O que parece certo é que a IA deve se consolidar como uma aliada no processo, seja ajudando a refinar o estilo pessoal, antecipar tendências ou até reduzir compras impulsivas. Ainda assim, o toque, o caimento e a experiência sensorial continuam sendo insubstituíveis. Vamos observar e ver como as duas coisas podem coexistir. E você, o que acha?