O fashion month chegou ao fim e reunimos as principais tendências vistas nas passarelas de Nova Iorque, Londres, Milão e Paris. Quem é a mulher do Outono/Inverno 2026? Para começo de conversa, ela é adulta. O lúdico, ainda presente, é traduzido de maneiras mais práticas e desejáveis, trazendo magia sem comprometer a funcionalidade. A prioridade é conseguir viver dentro daquelas roupas, sem excluir o glamour, muito pelo contrário, mas oferecendo opções que levam em conta a vida real, não apenas a desejada.
A moda volta a investigar o conceito de luxo e responde ao fenômeno clean girl e afins com um maximalismo elevado. Imprimir personalidade, celebrar o artesanal, valorizar o feito à mão e a riqueza de materiais e técnicas disponíveis é prato cheio para designers reinventarem tanto os looks de festa quanto o cotidiano. Os detalhes podem ser quase imperceptíveis à primeira vista ou bem óbvios em camadas de tecidos e leveza, desde que contem uma história. De preferência, a sua.
Outro fator importante é o styling. A ideia de colocar um vestido e estar pronta sempre vai existir, mas nesta estação a proposta é sobrepor peças, inserir acessórios, inventar e reinventar, brincar com proporções e deixar tudo mais autoral. Pode ser com chapéu, lenços, estolas, joias, luvas, meia-calça… Possibilidades não faltam.
A mulher deste inverno tem sex appeal. As formas ficaram mais ajustadas (as canetinhas emagrecedoras claramente fizeram efeito), a cintura aparece marcada e os acessórios cresceram. Ela usa cores, transparências, muito veludo, enquanto controla a própria narrativa.
Anos 20 e 80 seguem como favoritos no quesito décadas, influenciando muito das silhuetas, da cintura que despencou aos ombros exagerados. O clima dark também não vai a lugar nenhum, embalado pela cultura pop e, claro, pelo momento atual, que inspira elementos mais sombrios.
Toda temporada de inverno dá para contar com algumas coisas: couro, detalhes de pelúcia, casacos especiais, tecidos encorpados, mas que dessa vez, surgem potencializados: decorados, elaborados e deliberadamente imponentes. A seguir, a gente conta as principais tendências para o inverno 2026.
mood do Outono/Inverno 2026
opulência moderna
Depois de tanto tempo de quiet luxury, o jogo virou e agora as marcas migram para o lado oposto. A estética maximalista é revisitada em leitura deluxe, técnicas e formas emprestadas da alta-costura com volumes e shapes pontuais surgem com frequência. O intuito também se revela na riqueza das aplicações e dos aviamentos: paetês oversized, bordados 3D, plumas e superfícies brilhantes. A escolha de tecidos, com brocados, cetins, veludos e mix de materiais e estampas tem papel significativo, assim como a profundidade das tonalidades. A tendência se estende aos acessórios, resultando em bolsas e clutches enfeitadas.
O styling é outro aspecto fundamental: vestidos à la melindrosa combinados com tênis decorados, jeans bordados com casacos do tipo petit coat e o fascínio por broches e botões trabalhados reforçam essa direção. Elementos históricos se misturam a itens contemporâneos, criando um equilíbrio interessante e luxuoso.
dark
O clima gótico é traduzido em drama com tons fechados, saias volumosas, cetim, veludo, transparências e renda em leitura mais sombria, evocando referências vitorianas e românticas. Porém, o registro não para na teatralidade, também flertando com alfaiataria, conjuntinhos de couro, fendas e comprimentos curtos, trazendo o aspecto sexy das party girls dos anos 90 e 2000, com make borrada e atitude.
ajuste de contas
Mas nem tudo é over. Reduzir e simplificar também são objetivos para uma parcela de designers. A ordem é demarcar as linhas do corpo. Vale na alfaiataria em forma de terninhos ou tailleurs, tanto em comprimento midi quanto mini, desde que sequinhos. Nas leggings, que nesse caso perdem o apelo esportivo e passam para um clima mais sério, e até nos polêmicos modelos com pézinho, aposta inesperada da vez. Se o blazer é amplo, a pedida é acinturar com cinto. A imagem é afiada, propondo uma leitura refinada do bodycon.
silhuetas
As formas do corpo são ora enfatizadas, ora redesenhadas.
a cintura despencou
O clássico shape da década de 20 permeou diversas coleções. A linha da cintura se desloca para baixo, criando proporções alongadas e um caimento mais relax, em vestidos retos e em calcas de alfaiataria mais cool.
peplum
Shapes esculturais estão em alta há algum tempo, e a maneira mais popular de manifestar isso agora é através do peplum.
ombros fortes
Cortesia dos anos 80 com um toque dos anos 40, os ombros ganham estrutura e crescem. Reforçando a vibe imponente de várias coleções.
foco no pescoço
Jaquetas e casacos com gola funil já são hits absolutos e não perdem força. Além disso, amarrações na região em forma de nós e laços exagerados, muitas vezes arquitetônicos, assim como referências vitorianas em golas altas e trabalhadas.
texturas e materiais
A riqueza e variedade de texturas são fatores fundamentais para comunicar o clima da temporada.
pelúcia
A pele é protagonista, se tornando absolutamente inescapável para o Inverno 2026, aparecendo em forma de casacos volumosos e também em interpretações mais discretas, como golas, mangas ou acabamentos. E chegando até os acessórios com bolsas, sapatos e inclusive chapéus entrando na roda.
ode ao artesanal
Valorizando tricôs, crochê, franjas, rendas e exaltando as técnicas manuais. As peças exploram textura e volume, reforçando o interesse contínuo por processos e construções mais táteis.
veludo
Nada revolucionário tratando-se de inverno, o veludo confirma seu status, aparecendo tanto em peças opulentes quanto em propostas mais minimalistas.
transparências
Camadas transparentes trazem suavidade, seja em estilo boudoir, direto do universo da lingerie, mais moderna e sexy, ou no clima anos 90. Tule, organza e tecidos translúcidos criam jogos de sobreposição que revelam o corpo de forma sofisticada.
efeito líquido
Uma vibe molhada e sexy resulta em apelo vamp, através de lamê, verniz, látex, cetim e couros trabalhados. O brilho fluido das superfícies cria movimento e captura a luz, produzindo um efeito irresistível e levemente subversivo.
cartela de cores
Tons de pedras preciosas dividem espaço com opções densas, com profundidade. Verdes, rosa claro, azuis e tons pastel marcaram presença, porém, os quatro abaixo foram os que mais se sobressaíram.

vermelho
Mais uma temporada, mais um ode ao vermelho. Consistente em todas as capitais, em graus de intensidade variados, do mais aberto ao bordô.

cinza
Quando o assunto chega nos neutros, o cinza é a alternativa chique e infinitamente versátil.

roxo
Já se destacando desde o ano passado, o roxo entrou de vez no centro das atenções.

mostarda
No time dos terrosos e queimados, o mostarda é o principal representante.
estampas
Florais, poás e risca de giz tiveram relevância, mas as três a seguir levam o pódio.

xadrez
Menos grunge e mais folk, o quadriculado aparece em diversas versões, que lembram um clima meio campestre, meio aristocrático ou então irreverente e geométrico.

onça
O animal print é um clássico e a onça continua sendo a eleita. A cobra também surge, mas a oncinha domina, estilizada ou em forma mais tradicional, tanto em casacos e vestidos quanto nos acessórios.

figuras humanas
De rostos a silhuetas, passando por pinturas e estátuas, versões da figura humana foram recorrentes para estampar peças carregando um clima artsy.
sapatos
bota over-the-knee
Sinônimo de inverno, as botas são onipresentes quando as temperaturas baixam, mas desta vez o modelo acima do joelho ganha destaque. Indo do folk ao sexy com a mesma desenvoltura.
pés decorados
Das botas bordadas da Prada, ao clima surrealista das sandálias enfeitadas com vitórias-régia na Dior ou em forma de gato na Schiaparelli, aplicações em pedras, bordados, cristais e elevadas ainda mais por materiais nobres como brocados, cetins e veludos, os pés ganham status de preciosidade.
