Women’s March: Jari Jones

por Giovana Marcon

Seu pronome é ela. Desde pequena, Jari Jones se sentia mais feminina do que os outros ao seu redor. Ela sempre expressou que não se sentia bem com os rótulos de gênero e, para ela, ela era apenas uma garotinha diferente. Até que essa feminilidade parou de ser "bonitinha" para um garoto. A partir do momento que começou a ser policiada por ser fisicamente um menino, Jari soube que teria que lutar contra isso para sobreviver.

Ela encontrou jeitos de expressar seu lado feminino através da arte e do seu jeitinho nerd, que acabava mascarando quem realmente era. Sua transição começou na faculdade e aos poucos. Primeiro, Jari se identificou como não-binária e, depois de se encontrar de vez, ela assumiu ser uma mulher transsexual. 

Hoje, ela é atriz, modelo e filmmaker com um Festival de Cannes no currículo. Ativista trans sem nenhum medo de lutar pelos direitos LGBTQ+, encontramos Jari por acaso no Instagram e tivemos certeza de que ela merecia estar na nossa lista de mulheres incríveis. E para comemorar o Dia Internacional das Mulheres com inclusão e sem nenhum preconceito, elegemos Jari Jones como a sétima e última mulher homenageada no Women's March

Jari Jones - blusa - dia da mulher - verão - street-style
Foto: Jari Jones


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"Estamos em estado de emergência. Estamos em um momento em que as pessoas não têm medo de nos machucar e estão fazendo isso publicamente. Então como um aliado, você tem que estar disposto a levar um soco por nós. Não dá para ser só um post no Facebook."

Foi o que Jari disse à Office Magazine, quando questionada sobre o que podemos fazer para ajudar a comunidade trans. Jari é ativista ávida e isso vem de sua criação. Jari cresceu vendo pessoas próximas e da sua família quebrando barreiras, como o seu avô, que foi o primeiro modelo negro da indústria. Ele dizia "Se você não vê alguém fazendo, vá lá e faça". Jari não viu nenhuma mulher trans negra sendo inspiração para as outras, então ela decidiu que seria essa pessoa.

Jari é do tipo que se entrega e compra a briga até o fim. "Se eu vejo outra pessoa trans ou queer sendo atacada na rua, eu levo o ataque para o pessoal, porque eu posso ser a próxima".

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O filme teve sua estreia no último Festival de Cannes, sendo nominado a três categorias. Port Authority uma história de amor entre Paul e Wye, sendo que Wye é uma garota trans e, quando Paul descobre isso, se vê confrontando sua própria identidade. Jari participou do filme como atriz, consultora de script, coach de atuação e produtora, se tornando a primeira mulher negra transsexual a participar de um filme competindo em Cannes.

A diretora e roteirista do filme já acompanhavam Jari há algum tempo, então quando ela foi chamada para atuar, sabia que seria um esforço colaborativo e que seu papel seria maior do que o de uma simples atriz na produção. Port Authority, produzido por Martin Scorsese e escrito e dirigido por Danielle Lessovitz, foi um filme que representou e celebrou a comunidade trans em Hollywood como nenhum outro.

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Para Jari, Hollywood tem sido uma experiência ótima e perversa ao mesmo tempo. Fez com que ela ficasse mais forte e reafirmasse seu valor mesmo quando disseram que ser transsexual impediria seu sucesso. Que ser negra limitaria suas opções e que ela ser mulher era questionável - que ela basicamente não deveria se candidatar à personagens cis. E em meio à todas as críticas, Jari não parou de trabalhar, conquistando papéis de filmes e séries de TV renomados, se tornando um símbolo de representatividade para os jovens transsexuais negros e queer, dando mais espaço à todos eles e dando esperanças para a comunidade.

O filme foi uma das primeiras tentativas de inclusão de atores trans e queer em Hollywood e estamos vendo-os cada vez mais protagonizando projetos incríveis. O que Hollywood ainda precisa melhorar, segundo Jari, é em como os trans são representados no meio. No momento, a maioria dos atores trans cumprem um padrão de beleza cis, o que pode ferir os transsexuais da vida real. A mídia diz como devemos falar, interagir, amar e respeitar pessoas trans na nossa sociedade, então isso deveria refletir na televisão e cinema, mostrando pessoas trans de verdade sendo amadas, celebradas e respeitadas.

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