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1 a 10: Nosso veredito final aos indicados a “Melhor Filme”

por Giulia Coronato

Para finalizar nosso countdown do Oscar 2020, nada mais justo do que darmos destaque aos indicados a maior categoria da noite. "Melhor Filme" é o prêmio mais importante e mais aguardado da premiação, contando com 8 indicados, passando por comédia, drama e muita crítica social. 

Depois de te contarmos quais tendências queremos ver no tapete vermelho desse ano, viemos te contar nossa opinião sincera sobre os indicados e dar nosso veredito final dos filmes que estão concorrendo, com direito a crítica e nota de 1 a 10! Vem ver e conta para gente qual você acha que deve levar a estatueta: 

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Todo ano são lançados diversos filmes de guerra. A temática virou quase um gênero próprio e sempre nos deparamos com cenas de drama e violência, causando uma comoção quase certeira no telespectador. Sam Mendes tentou algo novo no longa "1917", o drama que se passa nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial é rodado em plano-sequência, uma proposta ousada que aumenta a tensão e o nervosismo inevitável em um filme que envolve vida e morte. Apesar da técnica rica de oferecer para o telespectador acompanhar o filme em "tempo real", parece que o longa não passa disso, e a técnica não é o suficiente para nos prender ao filme. O enredo é convincente e grandioso, mas os personagens são superficiais, fazendo com que não nos identifiquemos com os protagonistas. "1917" arranca lágrimas e angustia, mas não convence. 

Nosso veredito final: 7.5

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A mais nova adaptação de "Adoráveis Mulheres" tem como foco principal mostrar a perspectiva feminina em relação a sociedade. Greta Gerwig tem um talento mais do que comprovado para traduzir sentimentos complexos e profundos. O longa conta a história de quatro irmãs e de seu desenvolvimento à vida adulta, em uma época onde as mulheres tinham suas escolhas completamente restritas. Alternando entre passado e presente da vida das quatro, são exploradas diferentes facetas de cada uma delas, mostrando quão profunda é a experiência feminina e humana. A direção de Greta é ousada e deixa o filme nada óbvio para uma adaptação literária. O elenco conta com grandes nomes da nova geração de atores, como Saoirse Ronan e Timothée Chalamet que só deixam a produção mais rica e elegante. 

Nosso veredito final: 8.5

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Coringa não é um filme de heróis e vilões, pelo menos não da forma ordinária dos termos. A versão de Todd Phillips de um dos vilões mais famosos dos quadrinhos é inovadora, transgressora e principalmente corajosa. O filme e o personagem não possuem muitas ligações com antecessores do mesmo universo, muito pelo contrário, ele chega a modificar origens e finais. O diretor manipula a narrativa, de forma que conseguimos justificar a loucura de Arthur Fleck chegando até a considerar perdoável as ações do palhaço. O desenvolvimento do personagem é impecável (graças a atuação perfeita de Joaquim Phoenix) e presenciamos Arthur indo de indefeso e quase meigo a uma pessoa hostil e imprevisível. Se Phoenix tivesse apenas se sujeitado à transformação física e criado esta risada que chega a provocar calafrios, seria mais do que suficiente para entregar um anti herói de respeito. Mas ele vai além, entregando uma personalidade complexa e multifacetada. É como se este Coringa fosse uma evolução psicológica dos anteriores. O filme aborda diversas críticas sociais, como a relação e o impacto da sociedade na índole do homem e como a mesma trata pessoas com doenças psicológicas. O longa é pesado, rico, complexo e impecável, e acredito que todas as pessoas saíram da sala de cinema extremamente comovidos.

Nosso veredito final: 10.0

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O nono e penúltimo filme da carreira cinematográfica de Quentin Tarantino já estreou cheio de expectativas e suposições. O longa tem como base e cenário os trágicos eventos do verão de 1969, quando a Família Manson protagonizou uma série de assassinatos pela cidade de Los Angeles, incluindo o da promissora atriz Sharon Tate. "Era Uma Vez em... Hollywood" é uma declaração de amor ao cinema, e a sétima arte, o enredo gira em torno de um ator em decadência (Leonardo Di Caprio) e seu dublê e amigo de longa data (Brad Pitt). A dupla é o foco da narrativa, o que as vezes acaba deixando o desenrolar do filme um pouco lento e cansativo. Por outro lado, a complexidade dos personagens é incrível e inesperada, com certas porções de mistério sobre o passado de ambos. A atuação de Di Caprio é o ponto alto do filme, fazendo com que a gente se apaixone pelo personagem e suas manias. A fotografia e a trilha sonora não deixam nada a desejar, e entregam uma experiência rica para aqueles que são fãs da sétima arte.

Nosso veredito final: 8.5

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Se você espera de "Ford Vs. Ferrari" um punhado de corridas eletrizantes envolvendo duas das mais conhecidas fabricantes de carros do planeta, você vai se decepcionar. Elas até estão no filme, mas não são o foco da produção. A proposta do longa é separar negócios do esporte, desenvolvendo a trama em torno dos bastidores, mostrando uma constante batalha de ego de ambas as empresas. O filme falha na hora de entregar uma experiência emocionante, talvez essa não fosse a proposta do diretor, e nos entrega uma experiência robusta e complexa. Ao terminar o filme a sensação é que acabamos de receber uma lição profissional ao invés de assistir a um longa-mentragem.

Nosso veredito final: 7.0

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Uma análise profunda das fases de um relacionamento, "História de um Casamento" é um filme profundo, que em certos momentos chega a ser revoltante. Logo no inicio já recebemos uma quantidade de afeto dos personagens que faz com que torcemos para que o casal termine junto, e sentimos raiva e dor junto com os personagens a cada briga e desencontro. A formula do diretor é infalível e faz com que nos enxergamos em todos os lados daquela história, mostrando uma abordagem inesperada de um típico casal americano. A escala dos atores é perfeita, os protagonistas se entregam de forma grandiosa aos personagens, destaque a famosa cena da briga no final do filme, onde é possível palpar a tensão no ar. "História de um Casamento" é um filme tocante de uma forma não óbvia, com diálogos e personagens complexos. 

Nosso veredito final: 9.0

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"Jojo Rabbit" não é um filme óbvio que veríamos entre os indicados a "Melhor Filme". O longa aborda de forma cômica e leve os eventos trágicos e revoltantes da Segunda Guerra Mundial. Por mais que a trama trate de um assunto muito sério (sempre com respeito), o filme nos faz ver o mundo pelo olhar de uma criança, nos fazendo achar graça em situações e diálogos absurdos protagonizados pelos nazistas. O personagem principal tem Hitler como seu amigo imaginário, o que rende diálogos impagáveis entre o Führer e o garoto de 10 anos. O diretor faz comédia de uma forma própria e única e consegue com proeza passar mensagens extremamente importantes com uma leveza notável. O elenco é certeiro e todos os personagens brilham em suas performances, destaque para os dois protagonistas e Scarlett Johansson, que apesar de ter breve, tem uma participação impecável no longa.

Nosso veredito final: 9.0

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Diferente de "Os Bons Companheiros", clássico filme de máfia de Martin Scorsese, " O Irlandês" tem uma abordagem mais complexa e elaborada do mundo da máfia, menos energética e mais carregada. Aqui, o foco recaí na melancolia, e no lado negativo da vida violenta que mafiosos escolhem viver. O filme se passa em diferentes linhas temporais, acompanhando a vida de Frank Sheeran (Robert De Niro), um típico mafioso que nas palavras do próprio "pinta casas" (termo usado para descrever um assassino de aluguel) para viver. As 3h30 de filme (novo recorde de Scorsese) são entregues de forma tão bem pensada, inteligente e cheias de técnicas, tanto da direção, quanto dos atores, que você nem percebe o tempo passando. O filme é impecável em todos os sentidos e entrega uma mensagem final completamente diferente de outros filmes do mesmo gênero. 

Nosso veredito final: 10.0

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O único filme estrangeiro entre os indicados, "Parasita" começa jogando na nossa cara a desigualdade e a injustiça entre classes sociais da Coreia do Sul. O ponto de partida relativamente simples vira algo extremamente interessante e inesperado rapidamente,  com a família Kim, concentrada no estrato mais baixo da sociedade coreana, inserindo-se como um parasita, no coração da família Park, que, no outro extremo, representa a elite do país. O filme é cheio de metáforas, que são apresentadas tanto visualmente, quanto nos jogos de palavra, deixando as críticas de forma sutis e nada óbvias, cutucando o telespectador de forma habilidosa. A novidade no longa é que em nenhum momento a família rica é vista vilã. Se os "parasitas" parecem ser a princípio a família que entranha um núcleo familiar de classe alta, o conceito é fluido durante todo o filme, mudando completamente de perspectiva no decorrer da história. Parasita é um filme poderoso, que grita com a gente e incomoda, mudando nossa perspectiva e nossa visão em diversos aspecto que antes eram corriqueiros. 

Nosso veredito final: 10.0

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