2016 está de volta? Entenda a obsessão pela nostalgia nas redes sociais

por Sofia Chel

Os primeiros dias de 2026 estão sendo dominados por uma trend que resgata memórias de 2016, ano que completa uma década agora. A nostalgia nas redes sociais aparece em fotos, vídeos, músicas e estéticas que marcaram aquela época. Plataformas como Instagram e TikTok impulsionam esse movimento ao transformar registros digitais em conteúdo viral e compartilhável, fazendo até mesmo famosos repostarem seus antigos feeds. Na sequência, analisamos onde tudo começou, o que dominava 2016 e o que esse retorno diz sobre o presente e o futuro. Vem ver.

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explicando a trend da nostalgia nas redes sociais

No final de 2025, o perfil taybrafang no TikTok passou a publicar vídeos que resgatavam a vida em 2016. Os primeiros vídeos, como "Revive the 2016 Vibes with Music", misturavam trilhas de hits como "Panda" de Desiigner e clipes nostálgicos, alcançando picos de 50 mil views cada, com comentários como "Vamos fazer 2026 como 2016, por favor" viralizando a ideia. Os conteúdos geraram milhares de visualizações e comentários que já tratavam 2026, ano que ainda nem havia começado, como o novo 2016, em um apelo direto dos saudosistas que guardam com carinho essa época.

Nos primeiros dias de janeiro, outras redes acompanharam o movimento com frases semelhantes, fotos saturadas e filtros que marcaram o Snapchat, como orelhas de cachorro e a coroa de flores, além do VSCO garantindo edições aesthetic. A hashtag #2016 explodiu para 1,7 milhão de publicações no TikTok em uma semana, espalhando-se para Instagram Reels com 452% mais buscas, impulsionada por celebridades como Hailey Bieber e Selena Gomez postando comparações de "antes e depois".

como foi 2016 e por que ele virou referência

O ano era 2016 e Beyoncé havia lançado Lemonade. Stranger Things era anunciada e chegava à Netflix. As redes sociais do momento eram Music.ly, que preparava o terreno para o TikTok, e o Snapchat, no auge com filtros icônicos de orelhas de cachorro e coroas de flores.

Na beleza, o contorno bem marcado, as sobrancelhas grossas e o batom matte ditavam as tendências, ao lado das tranças boxeadoras e dos cabelos coloridos que viravam febre. Na moda, a estética era clara: jaqueta bomber, calça skinny, jeans destroyed, blusa ciganinha, choker e bota over the knee que faziam parte da skin fashionista da época.

Esse conjunto de referências ajuda a entender por que 2016 ficou tão marcada. E quando falamos isso, não é apenas pela estética, mas por ter sido um período anterior à pandemia, à intensificação da polarização política e à lógica acelerada das redes sociais. Era um tempo visto como mais espontâneo e menos perfeito, contraste direto com o que hoje domina os conteúdos, e é justamente essa sensação de autenticidade e de desaceleração que a nostalgia tenta resgatar.

Modelo posa com expressão suave, usando top ombro a ombro branco, brincos dourados e penteado vintage com presilhas,
Foto: Selena Gomez (Reprodução/Instagram)


por que essa estética voltou nas redes sociais

Em 2024, já havíamos antecipado que esse movimento voltaria a ganhar força. Na moda, nada desaparece por completo. As tendências seguem ciclos que costumam girar em torno de dez anos. Com o excesso de informação e a aceleração digital, esses ciclos se encurtam, fazendo com que referências do passado reapareçam e desapareçam com muito mais rapidez.

Esse retorno também responde ao contexto atual. Em períodos de instabilidade e cansaço coletivo, cresce o desejo por referências mais leves e familiares. Resgatar momentos do passado funciona como uma pausa simbólica, um respiro diante de um cenário de incertezas.

Dados da Toluna, plataforma global de pesquisa de mercado, mostram que 27% dos brasileiros pretendem diminuir o tempo de tela nas redes sociais e 64% buscam mais bem-estar, incluindo atividade física regular e alimentação equilibrada. Já uma pesquisa da Cigna, de 2022, aponta que 91% dos trabalhadores da geração Z relatam estresse, com 98% apresentando sinais de burnout.

@prazereusouaiza

questione-se comigo sobre os significados por trás das trends nostálgicas e o que a gente busca quando revisita um tempo passado? essa é uma tentativa de olhar pro nosso comportamento nas redes sociais de forma mais crítica e consciente, pra pensar um futuro que seja mais agradável e menos exaustivo #trends #antropologia #cultura #reflexão #nostalgia

♬ som original - iza andrade

o que a busca pela nostalgia diz sobre o hoje e o futuro?

Para o futuro, fica claro que a nostalgia deixa de ser uma tendência passageira. Há uma busca evidente por reconexão e por relações mais reais, algo que se perdeu nos últimos anos. Ao resgatar referências de 2016, os usuários não querem repetir aquele momento, mas simrecuperar valores associados a ele, como espontaneidade, menos vigilância e mais espaço para errar. Nas redes, isso aparece em conteúdos menos polidos, estéticas imperfeitas e narrativas mais pessoais.

Esse movimento também se reflete fora das telas. A procura por experiências analógicas cresce, impulsionada sobretudo pela Geração Z e pelo desejo de escapismo digital. Em 2025, o mercado global de vinis movimentou US$ 1,4 bilhão, com a Geração Z representando 45% das vendas nos Estados Unidos. No TikTok Brasil, as buscas por “comprar vinil” cresceram mais de 200%. Hobbies como tricô tiveram alta de 1.200% e kits de crochê cresceram 86%, enquanto o Pinterest projeta aumento de 125% nas buscas por “infância retrô” em 2026. Câmeras analógicas também ganharam força, com crescimento de 300% desde 2020, popularizadas no Brasil como uma alternativa acessível para quem busca imagens mais autênticas e sem edição.

Esse cenário aponta para uma mudança na forma de consumir e produzir conteúdo. A nostalgia passa a funcionar como filtro cultural, influenciando escolhas estéticas, estratégias de marca e o comportamento de criadores que priorizam conexão real, não apenas alcance. O passado recente deixa de ser apenas lembrança e vira base para construir algo novo, mais humano e menos acelerado.