O afrofuturismo é um movimento estético, cultural e político que reimagina o futuro a partir de um passado sem a interferência do colonialismo, onde a cultura, a arte, a ciência e a tecnologia do povo negro podem se desenvolver plenamente, sempre com a ancestralidade como ponto central.
O conceito surgiu entre as décadas de 1950 e 1970, a partir de escritores, músicos e pensadores, com o propósito de corrigir o apagamento da população negra e reimaginar a história além do trauma da escravidão, propondo novas visões sobre o que é futurista e tecnológico.
A partir daí, o movimento se expandiu e está presente nos filmes, nas músicas, nos livros e, é claro, na moda. Designers e figurinistas negros e africanos traduzem o afrofuturismo através de suas criações, gerando impacto visual e trazendo o conceito para o centro das discussões.

designers que ajudam a definir o afrofuturismo na moda
Selly Raby Kane
Selly Raby Kane é uma estilista e artista senegalesa que combina streetwear, surrealismo e afrofuturismo. O resultado são criações à frente do seu tempo, que traduzem a estética futurista com rebeldia e reinventa a visão de seu país de forma fantástica.

Laduma Ngxokolo
Através de sua marca Maxhora Africa, Laduma propõe um futuro onde a estética africana é moderna, indo de encontro às crenças de que a Europa é o centro da inovação. Além disso, ele usa os padrões tradicionais da cultura xhosa, seu grupo étnico, e a insere como tecnologia cultural.

Júnior e Céu Rocha
No Brasil, os irmãos, da Meninos Rei, usam um conceito central do afrofuturismo em suas criações: usar a ancestralidade para projetar futuros possíveis para corpos negros. Assim, eles posicionam símbolos africanos como potência estética e redefinem a ideia do que é luxo.

Hisan Silva e Pedro Batalha
Hisan Silva e Pedro Batalha, da Dendezeiro, se apropriam do afrofuturismo através de uma abordagem conceitual, poética e política. Suas criações, imaginam um futuro que nasce do cotidiano e se afasta da ideia de sci-fi. O resultado é uma moda experimental e performática, profundamente brasileira.

Dynasty e Soull Ogun
Os gêmeos Dynasty e Soull Ogun, fundadores da L'Enchanteur, têm sua marca profundamente enraizada no afrofuturismo e utilizam o design como uma forma de cura espiritual, principalmente através das joias. Assim, eles transformam espiritualidade africana em linguagem de futuro, transformando saberes tradicionais em tecnologias ancestrais.

afrofuturismo através do figurino
Além das passarelas, a relação do movimento com a moda também se dá através do figurino de produções. Dois exemplos recentes que marcaram o mainstream foram os dois filmes do Pantera Negra e o álbum visual Black is King, da Beyoncé.
Pantera Negra
A história do filme faz exatamente o que o afrofuturismo propõe, através da cidade fictícia de Wakanda: reimaginar um futuro, um presente e um passado sem a interferência da escravidão, onde o povo negro pode se desenvolver sem amarras e apagamento.
Ruth E. Carter, figurinista do filme, traduziu esse conceito através do figurino, com peças que unem ancestralidade, tecnologia e espiritualidade — visualizando um mundo onde pessoas negras são protagonistas do avanço científico, cultural e simbólico.

Black is King
Na produção, Beyoncé cria imagens de poder combinando tradição, arte e futuro, principalmente através dos looks. Ela usa mitologias, símbolos e performances africanas para construir um universo onde a negritude é central, unindo moda, ancestralidade e futuro.
O afrofuturismo mostra que futuro e ancestralidade não são opostos, mas complementares. Na moda, essa visão amplia repertórios, desafia padrões estéticos e coloca o protagonismo negro no centro da construção do amanhã.
