Quem esteve presente na internet na última década viu as redes sociais mudarem drasticamente. Da ascensão à perda de popularidade do Facebook, o hype do Instagram, passando pelo nascimento e morte do Snapchat, a explosão do TikTok durante a pandemia e até a troca de nome do Twitter para X, houve mudanças expressivas na forma como consumimos conteúdo online. No entanto, em meio a febre dos vídeos, será que restou algum espaço para uma rede social de fotos?

Recentemente, o Instagram liberou a opção de levar o feed de Reels para a página principal do aplicativo, semelhante à timeline do TikTok. Ainda em fase de testes, esse recurso está disponível para alguns usuários de iPhone.
Essa nova home conta com rolagem infinita e, claro, prioriza conteúdos em vídeo, apesar dos carrosséis aparecerem vez ou outra, em formato tela cheia. No entanto, com o foco nos Reels, as fotos parecem estar em segundo plano, fugindo da proposta inicial do aplicativo.
Nesse contexto, outras plataformas como o Pinterest, tradicionalmente um site de referências em fotos, começou a focar em vídeos — antes limitados a conteúdos publicitários — para publicações orgânicas. Além disso, o X também adicionou novos recursos de vídeo, como o visualizador de mídia imersiva, que permite rolagem infinita e navegação em conteúdos audiovisuais.
Os algoritmos treinados para exibir exatamente o que queremos, a perda do foco para conteúdos extensos e a dopamina gerada pelos vídeos rápidos parecem ter deixado as fotos em segundo plano. Se antes a ideia era ver uma viagem dos amigos, ou compartilhar a própria, postar a foto do look do dia ou até da refeição, hoje tudo vira um vlog, uma trend ou um get ready with me.

Com as informações vindo de forma cada vez mais rápida e o surgimento da “economia da atenção", a priorização dos vídeos que, inclusive, podem ser assistidos de forma acelerada se tornou central. Em vez de parar para olhar as fotos e ler os textos no próprio tempo, passamos a apenas passar pelos conteúdos com pressa, como se o objetivo fosse ver sempre mais, no entanto, sem quase nunca se aprofundar em nada.
Mas, ainda que o comportamento dos consumidores tenha mudado, será que ainda vai restar alguma opção para quem ainda prefere as fotos? Quando há um esforço coletivo das grandes redes sociais para replicar o sucesso das outras, parece que todas caminham para o mesmo objetivo. E aí, não há espaço para quem quer fazer ou consumir algo diferente.
Considerando a imprevisibilidade da internet, não dá para saber com certeza o futuro das redes sociais ou o espaço que a foto pode voltar a ter nelas. Porém, com o movimento atual que une rapidez e um algoritmo que visa aumentar o tempo de tela, tudo parece caminhar para o vídeo. Ainda assim, fica a pergunta: será que estamos realmente consumindo melhor, ou só mais rápido? Quem sabe, no meio de tantos estímulos, a foto volte a ganhar força justamente por exigir o oposto: pausa.
