A semana de alta-costura Primavera 2026 se encerrou hoje em Paris, trazendo as estreias de Jonathan Anderson na Dior e de Matthieu Blazy na Chanel, além da primeira coleção solo de Silvana Armani, sobrinha do recém-falecido Giorgio Armani, para a Armani Privé. A seguir, a gente conta as principais tendências que rolaram por lá.
tendências da temporada de alta-costura primavera 2026
natureza
A natureza foi a musa inspiradora de grande parte dos designers nesta temporada. Flora, fauna, os quatro elementos, todo o bioma teve vez, com beleza e sim, aquele apelo conceitual se encontrando nas composições. Em estampas que imitavam animais ou em forma de acessório de cabeça, como na Schiaparelli. Em cogumelos bordados nas roupas e povoando o cenário da Chanel. Borboletas flutuando, chamas que tomaram vestidos na Valentino e na Gaurav Gupta, peças que lembravam gramados na Dior e na Germanier, além de galhos e plantas brotando das criações de Miss Sohee.
aves do paraíso
Do reino animal, não há dúvida de que os pássaros foram os protagonistas, interpretados de formas distintas, mais ou menos literais. Sutilmente na Valentino, com penas enfeitando a gola e as costas de alguns vestidos. Nas cores e texturas da Dior. Em plumas salpicadas em vestidos e saias de volume deslumbrante na Chanel e na Ashi Studio.
Na Schiaparelli, foram estrelas em inúmeras versões, incluindo jaqueta toda coberta de penas bordadas e até sapatos em formato de pássaro, com direito a bico.
florescendo
Insira aqui a famosa fala de Miranda Priestley sobre florais na primavera. Mas até ela se surpreenderia com a criatividade com que elas foram utilizadas: vêm aplicadas, realistas, em 3D, brotam das peças, não restritas (apenas) às estampas.
Em especial na Dior, onde o fundador Christian era o maior entusiasta delas, jardineiro de mão cheia que se inspirou nas flores muitas vezes para idealizar silhuetas. Elas fazem parte dos códigos da maison, e Jonathan Anderson entendeu a mensagem, com flores permeando o cenário, os acessórios, os sapatos e, claro, os vestidos.
cartela de cores
Preto, branco e metalizados têm cadeira cativa na couture, mas as tonalidades vibrantes variam a cada temporada. Dessa vez, laranja e vermelho foram as eleitas.
Laranja:
A cor cítrica é uma das apostas para 2026 e não seria diferente na alta-costura, trazendo frescor aos looks.
Vermelho:
A cor já vem dominando as passarelas há alguns anos, e seu uso na alta-costura é emblemático. O falecimento de Valentino Garavani neste mês também contribuiu para deixar o vermelho em evidência, já que era sua cor símbolo. Aliás, a Valentino, atualmente sob o comando de Alessandro Michele, homenageou o fundador abrindo a apresentação com um vestido no tom.
Tons pastel:
Tons delicados também tiveram vez, com rosa claro e verde água roubando a cena em particular, indo na onda suave e leve que informou várias coleções nesta temporada.
Degradê:
O efeito de uma cor derretendo e se transformando em outra, sem bordas ou limitações, traz um toque totalmente especial às peças.
franjas
Movimento é palavra-chave, e as franjas tiveram papel fundamental, surgindo alongadas, em uma vibe mais rústica, ou em versões curtas, densas e luxuosas, feitas de canutilhos.
leveza
Transparências, fluidez, roupas que pareciam levitar. Se couture é sinônimo de peso, seja da experiência dos artesãos em cada ateliê, da profusão de bordados ou de materiais encorpados, desta vez esses elementos dividiram espaço com outra filosofia.
O clima leve foi liderado por Matthieu Blazy na Chanel, dos pés à cabeça, em uma versão modernizada, menos etérea e mais intencional. Mas também apareceu fazendo contraponto a peças estruturadas, em tecidos translúcidos, sobreposições e camadas de materiais leves que criam volume, sem rigidez.
decote alto
Um recorte inusitado invadiu as coleções, em que a linha superior de tops e vestidos sem mangas é estendida, criando um desenho mais elevado e estruturado, lembrando o formato de um leque. Em alguns casos, tomando proporções conceituais e chegando a encobrir o rosto.
questão estrutural
Shapes esculturais e arquitetônicos são onipresentes e demonstram toda a habilidade dos ateliês em manipular tecidos, criando formas impressionantes. Do tradicional peplum, símbolo da era de ouro da alta-costura, passando por saias armadas e arredondadas, golas vertiginosas, até ombros e mangas volumosos.
cobertura dramática
Algumas mais ornamentais do que úteis, outras perfeitas para se proteger do frio ao usar peças sem mangas, estolas e capas apareceram com frequência, emprestando uma essência aristocrática aos looks. Em versões fluidas ou em tecidos volumosos, oferecendo impactos completamente diferentes.
decor de pescoço
Os colares foram estrelas entre os acessórios, aparecendo por cima das golas, inclusive na noiva da Armani Privé, acoplados ao vestido, como na Chanel, em cascata desenhando a pele em decotes profundos ou no mesmo material e tonalidade, adicionando textura e dimensão.
bolsas
Apesar de bolsas serem itens centrais para qualquer grande marca, elas são raras em desfiles de alta-costura. Isso mudou nesta temporada, com o acessório arrematando diversos looks. As clutches seguem como opções tradicionais para acompanhar produções de gala, e os modelos estruturados foram os favoritos, ganhando bordados e formatos diferentes.
Mas não foram só elas. Bolsas maxi também tiveram vez na Dior, em formatos oversized usadas com vestidos longos, e na Chanel, onde a clássica 2.55 apareceu em versão de musseline transparente.
