Dia Internacional da Higiene Menstrual: por que precisamos falar sobre?

por The Look Stealers

Há 8 anos, na Alemanha, o Dia Internacional da Higiene Menstrual foi criado pela ONG WASH United, com o objetivo de quebrar o tabu e o silêncio em relação à educação menstrual. Gerando mais conhecimento e propagando um acesso justo a itens de higiene, para meninas e mulheres ao redor do globo. O dia é celebrado em mais de 50 países, por meio de 400 ONGs locais que ajudam a realizar ativações em escolas e locais públicos, além, claro, de contar com a força das redes sociais. 

Atualmente, mais do que nunca, falamos sobre pobreza menstrual e como ela afeta mulheres, homens transexuais, pessoas não-binárias, e especialmente quem não tem acesso a produtos de higiene pessoal e um espaço onde se sinta seguro para lidar com a situação - muitas de nós não sabemos o que é passar por isso, já que ainda é considerado um privilégio, quando, definitivamente, não deveria ser.

Adwoa Aboah - casaco azul longo - Dia Internacional da Higiene Menstrual - Inverno  - em pé na rua segurando um cartaz rosa escrito
Foto: Adwoa Aboah (Reprodução/Instagram)

Acima de tudo, o problema que enfrentamos em relação à pobreza menstrual é coletivo e precisa ser discutido, já que é uma questão de saúde pública e direitos humanos, que afeta muitos setores no país e mundo afora. Por exemplo, segundo relatório da Pesquisa Nacional de Saúde, de 2013 a 2018, realizado pela Unicef - Fundo das Nações Unidas para a Infância -, mais de 4 milhões de meninas, entre 10 a 19 anos, não possuem acesso a itens básicos de higiene menstrual. 

Ainda nesse relatório, é afirmado que 200 mil meninas não têm condições mínimas para se preocuparem com a menstruação no ambiente escolar. E, pelo menos, 710 mil outras meninas vivem sem acesso a banheiros ou chuveiros dentro da própria casa. 

Tudo isso é caracterizado pela falta de recursos, de acesso e até mesmo pelo medo ou constrangimento gerados devido a pouca visibilidade, tabus e negligência. Esse é um dos principais motivos pelo qual devemos falar mais sobre pessoas que menstruam.

No Brasil, uma em cada quatro jovens já faltou à aula por não poder comprar absorvente. Se pensarmos que um ciclo menstrual tem a duração média de cinco dias, o impacto afeta também na educação.

A fala acima, da sócia e co-fundadora da marca Pantys, Emily Ewell, não poderia ser mais real. É preciso entender como a gravidade do assunto afeta as pessoas, sendo a evasão escolar apenas uma delas. Além disso, também é importante pensar na população carcerária, ou em pessoas que vivem em situações de vulnerabilidade extrema, que enfrentam uma realidade onde usar miolos de pão ou folhas de jornal, já se tornou comum.

Herself - calcinha bege - Dia Internacional da Higiene Menstrual - Inverno  - mulher de lado em uma cama branca - https://stealthelook.com.br
Foto: Herself (Reprodução/Instagram)

Pouco se fala, mas precisamos lembrar que pessoas trans também são diariamente afetadas por essa problemática. Para muitos homens transexuais — que precisam de cuidados ginecológicos —, o ciclo pode continuar ativo, e na grande maioria das vezes, os banheiros masculinos não possuem cabines privadas, gerando desconforto e vergonha.

Para a Maria Eduarda Camargo, também sócia-fundadora da Pantys, “ao longo do tempo, percebemos como os homens trans são invisíveis na sociedade e entendemos a importância de abraçá-los e nos posicionarmos diante de uma questão tão importante envolvendo a menstruação.”,  e para ela, um passo importante no avanço para dar mais visibilidade ao assunto, é “conscientizar as pessoas que sangue não tem gênero. É extremamente necessário levar saúde e inclusão para todas as pessoas que menstruam.”

como você pode ajudar

Existem diversas formas de ajudar na luta contra a pobreza menstrual. Uma delas é apoiando o #PantysProtest, que mobiliza pessoas a se conscientizarem sobre a importância da dignidade menstrual. A empresa, já está no seu segundo ano consecutivo engajada nesse projeto, e pretende impactar cerca de 50 milhões de pessoas. Tudo isso em parceria com celebridades como Jojo, Taís Araújo, Paloma Bernardi, além de marcas e empresas como o Magalu, Farm e Hollistix. 

No ano passado, a marca conseguiu reverter R$480 mil em calcinhas absorventes e ajudou 23 ONGs com produtos reutilizáveis. Para 2022, além dos protestos nas redes, a Pantys promoverá um evento virtual, trazendo diversos talks para dar visibilidade ao tema. Além do mais, para os próximos passos, Maria Eduarda, deseja levar o projeto para o âmbito internacional, “acreditamos que a presença global é super importante e necessária para um problema que também afeta milhões de mulheres fora do Brasil. Estamos motivadas a fazer isso em uma escala cada vez maior ao longo dos anos.”, concluí a sócia. 

Para entrar no projeto, é rápido e simples. A cada foto postada no feed com uma placa ativista nas mãos e utilizando a #PantysProtest, uma calcinha absorvente é doada para ONGs cadastradas no site da marca. E aí, vamos nessa?

conheça outros projetos

Baseada em Porto Alegre, a Herself investe na educação menstrual, oferecendo acesso à informação segura e de qualidade sobre o funcionamento do corpo. Inclusive, a empresa também destaca a criação de três propostas de lei em combate à pobreza menstrual, juntamente com o coletivo Girl Up.

Idealizado por Victoria Dezembro, o Projeto Luna é uma ONG que atua em casas de acolhimento e ajuda pessoas em situação de rua, ou que estão em ocupações de moradia popular. De acordo com o UOL, o Projeto Luna já doou cerca de 466 kits de mais de 13 mil absorventes. Para ajudar, basta entrar no perfil e realizar uma doação.

A carioca Absorvendo Amor, nasceu dentro da Escola Eleva, no Rio de Janeiro, em 2018, com um grupo de 10 alunas dispostas a reduzir o impacto da pobreza menstrual. Ao perceberem que não haviam doações de absorventes destinados a pessoas vulneráveis, as amigas utilizaram a plataforma Vakinha e o Instagram para isso. Atualmente o projeto conta com um grêmio estudantil e vários parceiros! Para descobrir mais, acesse o site.

Luana Escamilla tinha apenas 16 anos quando fundou o Fluxo sem Tabu, e além de doar os itens necessários a quem precisa, a fundadora também criou um site para democratizar o acesso à informação. Hoje, o perfil conta com mais de 30 mil seguidores, e possui um número incrível de 246 mil absorventes doados e mais de 17 mil pessoas beneficiadas pelo projeto. 

fale abertamente sobre o assunto

Agora que você já conhece alguns projetos, também sugerimos que você compartilhe e espalhe a mensagem, não somente no Dia Internacional da Higiene Menstrual, mas sempre que tiver a oportunidade. Proponha reflexões entre seus colegas e nas redes sociais, reúna suas amigas e converse com pessoas do seu bairro, para que seja cogitada a possibilidade de criar pontos de coleta de absorventes e produtos de higiene. Acredite, qualquer movimento é capaz de fazer a diferença.

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Eu uso coletor menstrual há 6 anos e aqui está tudo o que você precisa saber para finalmente dá-lo uma chance

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