Entrevistamos Molly Rogers, a figurinista de O Diabo Veste Prada 2
Se há um guarda roupa que parou o mundo, certamente foi o figurino do Diabo Veste Prada, pela figurinista Patricia Field. O filme virou cult e mesmo 20 anos após o seu lançamento, ainda há quem tente reproduzir os looks usados por Miranda Priestly e Andy Sachs. Por isso, com a chegada do segundo filme a especulação sobre o figurino é altíssima. O que será que a produção vai entregar?
A única pessoa capaz de responder isso é Molly Rogers, a figurinista de O Diabo Veste Prada 2. Com quatro décadas na indústria, a discípula de Field como se auto entitula, já colaborou com os figurinos do primeiro longa, Sex and The City, Ugly Betty e outras tantas produções. Apesar de seguirem amigas e colaboradoras, enquanto sua mestra tocava os visuais de Emily in Paris da Netflix, ela seguiu nos Estados Unidos de forma independente com And Just Like That… da HBO.
Encontrei Molly Rogers em NY, recém-chegada do Brasil, onde participou da série de palestras do Iguatemi Talks. Apesar de não ter tido muito contato com a moda brasileira, estava encantada pois descobriu uma butique vintage em São Paulo e saiu com uma calça que, de tão bem-feita, todo mundo jurou ser Margiela. Sempre simpática e claramente apaixonada pelo o que faz, é daquelas pessoas que a gente pode falar por horas – ainda mais quando o cenário da entrevista é o closet cenográfico da Runway Magazine, que entre as bolsas e sapatos de grife, tinha exposto figurinos incluindo o próprio blusão azul-cerúleo sujo de sopa usado em cena por Anne Hathaway.
Confira o nosso papo exclusivo com Molly Rogers, sobre moda atemporal, o legado de Patricia Field e a arte de vestir Miranda Priestly e suas assistentes para uma nova era.
STL: Como foi retomar a identidade visual construída no primeiro filme?
Molly Rogers: Foi como se o relâmpago caísse duas vezes no mesmo lugar. Eu tive a sorte de trabalhar com Patrícia Field no primeiro filme, ela construiu um DNA visual dos personagens. Meu trabalho foi trazer tudo para o presente sem perder a essência. A Andy é uma novaiorquina que viajou o mundo como repórter, então o guarda-roupa dela precisava carregar essa história: peças encontradas aqui e ali, objetos com memória. Já a Miranda precisava, de novo, ser aquela figura que paralisa a sala. Encontramos uma silhueta limpa, com ombros estruturados, que transmite autoridade, realeza, e um certo perigo. Foi divertido descobrir isso junto, no camarim.
STL: Qual é a diferença entre tendência, moda e estilo?
Molly Rogers: Tendência é o que muda todo mês. Moda é o que atravessa estações. Estilo é o que atravessa décadas. Quando olho para o primeiro filme hoje, não consigo dizer com precisão em que ano estou. As roupas são atemporais. Era exatamente isso que eu queria para a sequência, que, daqui a vinte anos, alguém assista e queira reproduzir cada look. Aprendi há muito tempo com a Patricia Field: você não segue tendência. O que eu queria era que as roupas envelhecessem bem, que ninguém soubesse dizer em que ano se passa o filme.
STL: Você ficou com algo do set?
Molly Rogers: “Não pude ficar com nada. Mas tem uma coisa específica que eu ainda quero ir atrás na Disney. Escapou das minhas mãos, mas eu quero muito. Deve estar vagando pelo universo em algum lugar (brinca).”
Molly Rogers construiu um guarda-roupa que, como Miranda Priestly, simplesmente ocupa o espaço de uma forma inevitável e inesquecível.
