Eu me adaptei bem à quarentena, minha pele nem tanto

por Giulia Coronato

Há algumas semanas atrás eu postei em meu Instagram pessoal um story de uma selfie acompanhada do texto "minha pele está completamente surtada durante essa quarentena". Após dezenas de respostas de pessoas se identificando comigo e me dando diversas dicas de como enfrentar o problema, eu resolvi que era hora de falar sobre isso, pois notei que não estava sozinha nesse pesadelo que está sendo minha pele na quarentena.

Eu já contei pra vocês um pouco do meu histórico com acne e alguns hábitos que transformaram a minha pele com o decorrer do tempo, principalmente na transição da adolescência para a vida adulta. Apesar de não ter o rosto tão oleoso, eu sempre tive acne e minhas bochechas vivem vermelhas por conta da rosácea. Mas, sempre foi algo que eu conseguia controlar, mantendo uma alimentação saudável, bebendo muita água e usando os produtos certos. As espinhas e o período de maior irritabilidade da minha pele se limitavam à TPM, algo que eu já estava acostumada e que sabia que após uma semana ia passar.

Giulia Coronato - Pele na quarentena - Acne - Outono - Street Style - https://stealthelook.com.br


Quando entrei em isolamento, na segunda semana de Março eu estava no final do meu ciclo menstrual e minha pele estava normal, como sempre foi. Com algumas espinhas pequenas e um pouco avermelhada, mas nada além disso. 

Com o início da quarentena, eu me esforcei para manter meus hábitos alimentares saudáveis e minha rotina de exercícios e rapidamente me adaptei à "nova vida", por mais estressante e angustiante que possa ser de vez em quando, eu criei uma nova rotina, com novos horários e novos hábitos e até reatei hábitos antigos que me faziam super bem, mas que estavam esquecidos por conta da correria do dia-a-dia. Na minha cabeça estava tudo sob controle e caminhando bem.

No primeiro mês, eu queria estar por dentro de todos os acontecimentos, todos os dados e número relativos à pandemia do COVID-19, vivia ouvindo podcasts e lendo notícias, que cada vez mais se tornavam aterrorizantes e claro que isso me atingiu de uma forma extremamente negativa. Após essas quatro semanas iniciais, minha ansiedade aumentou, eu comecei a me sentir mais cansada que o normal, extremamente irritada, preocupada com a situação e desgastada emocionalmente, pra falar a verdade, eu nunca imaginei que o isolamento duraria tanto tempo e muito menos o impacto que isso iria causar, no planeta, na sociedade, nas pessoas e em mim.

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Apesar de continuar com meus hábitos saudáveis e quase exatamente iguais à antes, eu comecei a sentir minha pele e meu corpo mudarem completamente. A partir do mês do Abril, foi como se eu tivesse perdido o controle da situação e mudanças drásticas começaram a acontecer, inicialmente no meu humor e comportamento, mas logo refletindo em meu corpo. 

A sensação que tenho da minha pele na quarentena, é que da noite pro dia, ela se transformou. Agora, ela vive irritada, sensível, super avermelhada e com espinhas em lugares que eu nunca tive antes. A aparência de nossa pele atinge diretamente nossa autoestima e é claro que a minha não se encontra nos seus melhores dias. Com a piora repentina da minha pele na quarentena, eu notei que comecei a passar maquiagem para fazer chamadas por vídeo, comecei a parar de comer qualquer coisa que levava açucar, amido e óleos (o que também resultou numa perda de peso imensa), neguei todas as ligações de amigos por Facetime e fiquei longe de todos os espelhos de casa. Tudo isso foi virando uma bola de neve, eu acabei me isolando e ficando mais triste, mais angustiada e ansiosa, e minha pele, só piorava.

Foi só quando postei aquele story há algumas semanas atrás, que vi que não estava sozinha e que na verdade muitas pessoas vem passando pela mesma coisa durante esse período delicado que estamos vivendo. E foi só conversando com diversos amigos e leitoras, que eu cheguei a conclusão de que está tudo bem. Estamos passando por uma situação nunca antes vista, todos estão com medo e estressados e é claro que isso ia transparecer em nosso corpo. Que boba fui eu quando pensei que se mantivesse a mesma rotina de antes ia ter tudo sob controle! Nossa saúde mental e emocional atinge diretamente nossa pele e nosso corpo, por isso se não estivermos bem, nosso corpo vai mostrar isso pra gente.

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No início de Maio eu percebi que o que eu deveria mesmo fazer era cuidar da minha saúde mental. Limitei meu tempo de consumir notícias e comecei a usar meu tempo livre para ligar para meus amigos, minha família, assistir pela décima vez meus episódios favoritos de Friends, me alongar, ler um livro e consumir um conteúdo que me inspire.

Minha pele ainda não voltou ao normal e diariamente eu me pego pensativa e angustiada com a situação. Mas as crises de choro diminuíram e eu parei de pegar tão pesado com a minha aparência, e daí que estamos mudando? Engordando, emagracendo e tendo mais espinhas do que o normal? Estamos vivenciando uma pandemia e devemos parar de exigir normalidade. 

Não se cobre tanto, não exija produtividade, peles perfeitas, rotinas de exercício e conhecimento sobre tudo o que está acontecendo. Faça aquilo que der e principalmente o que te fizer bem! Logo logo isso vai passar e estaremos todos juntos novamente, mesmo que com algumas espinhas e uns quilinhos a mais. 

Alguns produtos que ajudaram minha pele na quarentena: 

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