História da moda: a linguagem histórica do tecido nos dias atuais

por Andreza Ramos

Olhando para a moda recente, até pouco tempo atrás não existia nenhuma linguagem que amedrontava mais algumas mulheres como o volume. Por conta de uma forma um tanto nociva de se relacionar com a própria imagem, toda peça que entrava no look deveria ser milimetricamente calculada para produzir o mínimo volume possível no corpo. Vide as estéticas dos anos 2000 que impulsionaram imagens e modelagens que cultuavam a magreza excessiva. 

No entanto, a história da moda em seu aspecto social nem sempre andou por estes contornos. E é por isso que queremos te contar hoje sobre o que historiadores da moda chamam de "desperdício conspícuo ou ostentatório".

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Foto: Maria Antonieta (Wikimedia Commons)


"Desperdício conspícuo ou ostentatório" é nada mais do que utilizar mais tecidos do que uma roupa realmente precisaria para cobrir o corpo. Aquela silhueta opulenta que imaginamos quando falamos em períodos medievais entra em jogo e se justifica exatamente aqui. 

Vestido de noiva - vestido - história da moda - tecido - divulgação - https://stealthelook.com.br
Foto: Vestido de noiva (V&A Museum)

"Na Europa pré-industrial, o tecido era a mercadoria manufaturada mais importante", conta a historiadora Anne Hollander, que ainda complementa que "durante a maior parte do período, entre 1600 e 1900, por exemplo, mulheres respeitáveis das classes média e alta usavam no mínimo três anáguas, menos que isso era considerado patético e indicava negligência ou pobreza”. 

Makeda - vestido - história da moda - roupa - divulgação - https://stealthelook.com.br
Foto: Makeda (Glamazon Diaries)

E, bom, mesmo que isso tenha acontecido há tantos anos, não se pode negar que a história da moda é um fio condutor de cultura e isso quer dizer que, em menor grau, essa relação entre tecido e poder ainda se repete em nossos dias. Seja através daquela blusa bufante que você guarda para lugares específicos ou daquela gola alta que, sem saber porquê, você só usa quando quer um look mais "arrumado". 

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Foto: Taylor Swift (Reprodução)

Além disso, junto com o brilho (outro elemento histórico de poder), o volume, opulência, os tecidos, as camadas, são elementos super utilizados por artistas para transmitir grandiosidade com uma pitada generosa de "divindade", sabe? As turnês mais icônicas do momento, como a Renaissance World Tour, da Beyoncé, e a The Eras Tour, da Taylor Swift, estão aqui para provar isso. 

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Foto: Beyoncé (Reprodução)

Beyoncé, entrelaçada à estética do House, usa, além do volume, o brilho e a textura como principais elementos comunicadores da exuberância. O tecido ganha protagonismo e transporta os fãs para esse recorte cultural que a artista desenha.

Já na The Eras Tour, o tecido, também sob o efeito das texturas e aplicações, exerce a função quase lúdica de inspirar uma jovialidade divertida e autêntica à direção de arte de show.  

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Foto: Beyoncé (Reprodução)

Na área da consultoria, por exemplo, muito se fala que a cor comunica. Entretanto, é possível visualizar que quase tudo que nós, e nossas celebridades favoritas, usamos é fruto de todo um sistema que atribui sentido às roupas, partindo de um contexto histórico e cultural que permanece produzindo (e alimentando) significados até hoje. 

É por isso que ouvimos muito pela internet que moda é comunicação. E é importante que saibamos esse idioma, para que tenhamos o mínimo de autonomia sobre as "frases" e afirmativas que montamos todos os dias com o nosso vestir. 

quem é a autora?

Meu nome é Andreza Ramos, sou consultora de estilo e comunicadora de moda, na eterna (e gratificante) função de tornar o nosso vestir mais gostoso, disruptivo, estratégico e intencional. Amo criar looks criativos, mas também estou atenta aos sinais sociais, culturais e história da moda.

Andreza Ramos - tecido - História da moda - colaboradora - divulgação - https://stealthelook.com.br
Foto: Andreza Ramos (Reprodução)
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