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#MasPeraí: Por Que Fazer Amizades na Vida Adulta é Tão Difícil?

por Carol Carlovich

Ok, vamos começar pelo começo. "Carol, o que é esse tal de #MasPeraí"? Peraí que eu te respondo e é pra JÁ, meu bem! Se você é nossa leitora assídua - e eu espero muito que esse seja o caso - então você já sabe que estamos cada dia mais apostando em matérias interativas, que dialoguem com você que nos acompanha. Temos trazido alguns textos super relevantes e mais densos sobre assuntos que consideramos urgentes e importantíssimos de serem discutidos, lá na nossa coluna (que você com certeza já ama) "Precisamos falar sobre" e a gente já até deixou vocês escolherem nossos looks da semana - quer mais interação que isso?

Pois é. Então é melhor já ir se acostumando porque, por aqui, queremos cada dia estar mais junto&misturado com você, que ri, chora e se inspira com a gente do outro lado da tela. E é por isso mesmo que pensamos nessa nova coluna, a #MasPeraí! Nela, queremos conversar, pirar na batatinha, opinar e responder (quando possível) as suas e as nossas dúvidas: sejam elas crises existenciais, palpites sobre moda, beleza, relacionamentos, comportamentos e até aqueles assuntos que parece que só você pensa - e que na verdade mantém muita gente acordada de noite.

Na real, a #MasPeraí serve pra gente se divertir e opinar (por que a maioria de nós gosta de dar e pedir opiniões, né?) sobre o que a gente - e o que você - quiser! Portanto, esse é o momento que eu paro de tagarelar e te dou nosso email (contato@stealthelook.com.br) e o nosso instagram, pra que você mande questões do universo (tipo "por que minha secadora só engole meias escuras?" ou "às vezes acho que meu namorado não me ama") pra gente. Combinado? Então agora pode fazer um chazinho (camomila é ideal mas erva-doce também faz o trabalho), relaxar e embarcar na nossa primeira e grande questão:

#MasPeraí - Conversa - Amizades - Vida adulta - comportamento

A situação já é tão clichê que parece até ensaiada: você encontra um amigo - ou deveríamos chamá-los de colegas? conhecidos? ser ou não ser? eis a questão - em um lugar público. Você pensa rápido: "Posso fingir estar vendo algo no celular", mas logo percebe que ele tá lá no fundo da bolsa e não vai rolar. "E se eu desviar por outro caminho?" Não. Muito óbvio. No fim, vocês se trombam naquele cumprimento estranho e constrangedor e o fim da conversa é tão previsível quanto qualquer final de novela das 8: "Vamos marcar alguma coisa!", o fulaninho diz. E você, naquele momento, até empolgado com a possibilidade, responde, obviamente: "Vamos! Eu vou te chamar e a gente marca."

Pronto. Acaba aí. Talvez vocês se encontrem de novo daqui uns 3 anos, em uma festa que você não queria ir ou na fila de um restaurante no domingo. A questão é que, eu não sei você, mas depois desses encontros, eu continuo meu caminho com apenas um pensamento martelando na cabeça: "O que aconteceu com os 50 amigos que eu costumava ter? Por que a gente se afastou? Foi culpa minha, será que eu estava ocupada demais? Quais são meus amigos de sair? Quais são os de chorar e assistir Netflix? Eu tenho amigos o suficiente? Se eu quisesse fazer novos amigos hoje, como seria? Eu começaria uma conversa aleatória? Ou sempre tem que ter um amigo em comum? Como? Por quê? Onde? Quando?"

Ok, não precisa me achar doida, nem todas essas perguntas vêm á tona de uma só vez quando eu estou andando por um shopping ou levando meu cachorro pra passear, mas se eu te dissesse que nenhuma delas passou pela minha cabeça desde que eu entrei pra esse clube de assinaturas incrível chamado vida adulta, eu estaria mentindo. E, pelas conversas que tive por aí sobre o assunto, eu não estou sozinha nessa. A verdade nua e crua é: amizades na vida adulta são uma questão complicada. Envolvem ego e ansiedade (que temos de sobra), tempo (que quase não temos) e, acima de tudo, autoconhecimento (que a gente ás vezes nem sabe o que é).

Mas por quê? Será que a gente perde a habilidade de entrosar com pessoas novas conforme o tempo vai passando? Acho que não é bem esse o caso... Talvez a gente já esteja muito acostumado com o círculo de amizades que criamos há muito tempo e sentimos um pouco de preguiça e até ansiedade de passar por todo um novo processo de aproximação. Tipo, seu melhor amigo sabe a história por trás da sua cicatriz no nariz e tem mais do que permissão pra chamar sua mãe de tia. E o processo pra chegar nesse estágio com uma pessoa nova - por mais que seja diferente pra cada um - leva um tempinho. Muitos de nós param aí e não avançam mais: por medo, insegurança ou falta de vontade.

Ao mesmo tempo, conheço pessoas que têm uma mega facilidade de se conectar com várias outras. Prodígios da era digital, esses indivíduos geralmente têm vários contatos, conhecem sempre alguém em todos os lugares que vão e não têm preguiça de interagir em ambientes novos. Mas - e é aí que mora um problema consideravelmente grande - ás vezes chegam em casa e nenhum nome vem à mente quando precisam de um amigo para simplesmente estar lá. Posso falar com propriedade sobre esse case - porque algumas vezes me sinto inclusa nele.

E o que dizer ainda daqueles amigos que a gente jurou fidelidade pra sempre e que, hoje, são protagonistas de situações como a que eu descrevi ali no começo? Será que somos amigos tão péssimos que estamos fadados a perder entre os dedos até as pessoas que conhecemos há muitos e muitos anos? Temos medo do que pensamos que era sólido e, com o tempo, desmorona. Sentimos, sobretudo nesses casos, pesar e até culpa. Sim, a moeda da amizade na vida adulta tem muitos lados. Mas, pensando sobre tudo isso, acho que cheguei a uma (quase) conclusão de que, apesar de parecer impossível, algumas soluções pra todos esses questionamentos são na verdade bem simples e práticas. Por exemplo:

1) Se estiver com saudade, ligue: e é basicamente isso. Por estarmos constantemente conectados, respondendo a stories e reagindo a posts no Facebook, pensamos que esse tipo de interação é suficiente pra saber sobre o que se passa na vida de alguém. E não é verdade. Se bateu aquela saudade, ligue. Se seu amigo ou amiga estiver ocupado no momento, sem neura. Deixe um áudio, mande uma mensagem, chame pra conversar. A preocupação de atrapalhar ás vezes é o que está atrapalhando as duas partes. E vale a tentativa, né? Se aquela pessoa é importante, respeite seus sentimentos e atue sobre eles! O que nos leva ao segundo tópico:

2) Joguinhos ficaram no passado: demorar pra responder, ficar zangado porque alguém visualizou sua mensagem ou não te deu oi no meio de uma praça de alimentação lotada na hora do almoço não nos levam a nada. A verdade é que esses comportamentos são injustos - conosco e com nossos amigos. Na vida adulta, espera-se que a gente esteja mais maduro, e isso inclui um olhar mais compreensivo e empático para conosco e nossos amigos. Essa atitude inclui também as pessoas com quem já tentamos restabelecer contato e nos rejeitaram, direta ou indiretamente. Eles provavelmente têm as suas razões e, na verdade, todos podemos decidir. Agradeça pelo que um dia foi e bora pra próxima.

3) Você não precisa fazer um melhor amigo em uma noite - comece comentando sobre a sua playlist: ou passando uma receita de bolo de caneca, ou comentando sobre o tempo. Quem sabe? Numa festa, no trabalho, em um barzinho com amigos em comum... não precisa achar que aquele momento é decisivo e que você tem a obrigação de fazer um amigo pro resto da vida a partir de um "oi". Mas um "oi" é, muitas vezes, o que você precisa pra começar. :)

4) Marque. De verdade. Com data, lugar e horário: sem comentários pra esse tópico. Você sabe com quais amigos quer sair, né? Determinem uma regra que não vão desistir até acharem uma data boa pra maioria! Ok, se não rolar, não é o fim do mundo. Mas se você realmente faz questão de estar com aquelas pessoas, chegue na mesa com o save the date pronto - e parta dai. Combinado?

5) Qualquer oportunidade é um pretexto: esses dias, estava em semana de saco cheio na faculdade, mas ainda tinha coisas do trabalho pra resolver. Uma amiga minha me pediu pra ficar na casa dela, porque seus pais estavam viajando. E foi isso: eu fiz meu horário de trabalho enquanto ela tava ali do lado, fazendo almoço, ouvindo música, cuidando da vida dela. No fim do dia, jantamos e vimos vídeos aleatórios. Qualquer oportunidade é um pretexto pra estar junto com pessoas importantes pra você. 40 minutos em um barzinho perto do trabalho, voltar pra casa de metrô junto, estudar junto e até ficar em silêncio junto. Não precisa ser mega elaborado e nem ser sob pressão!

6) E último - Tá tudo bem se sentir sozinho: a verdade é que nenhum desses tópicos é 100% eficaz e podem não funcionar pra você... tem dias, por exemplo, que nenhum deles parece ter efeito pra mim. Fico triste e emburrada do nada, só de ver que meus amigos estão com outros se divertindo em alguma saída que eu não pude ir. Mas ei, essa é a vida adulta. Acho que talvez a dica de ouro seja olhar pra tudo - não só pra amizades - mas também pros nossos sentimentos, percepções - e por que não nossa solidão? - como coisas efêmeras, não definitivas; e não dar à elas o poder de determinar como nos enxergamos como indivíduos. Se você tem mil amigos ou mal pode dizer que tem um, eles não são você. E, na real, a pessoa com quem você mais convive, a qual você mais deve dar atenção, ouvir e respeitar é você.

Amizades são sim difíceis. Mas só porque NÓS somos difíceis, complexos, múltiplos. E isso é, também, o que nos faz especiais e únicos na vida das outras pessoas. Por isso se cuida, tá? Você merece ter amigos, poucos ou muitos, mesmo com a vida corrida e os defeitos que todos nós temos. Vai lá. Tenta de novo: "Vamos marcar?"

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