O legado de Mary Quant muito além da minissaia

por Beta Weber

Faleceu na semana passada, aos 93 anos de idade, Mary Quant. Uma das responsáveis por definir a estética dos "Swinging 60s", ela revolucionou a história para sempre com o lançamento da minissaia, mas sua trajetória conta com ainda mais feitos inspiradores e menos comentados que a gente compartilha a seguir.

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Foto: Mary Quant (Reprodução/Instagram)


Nascida na capital inglesa, Quant estudou ilustração e se formou com diploma de Art education. Durante a faculdade conheceu seu futuro marido e sócio, o aristocrata Alexander Plunkett-Greene, e foi em sociedade com ele e Archie McNair que em 1955, daria seu primeiro passo na moda, abrindo a loja Bazaar, na lendária King's Road. O local reunia roupas e acessórios dos mais variados com a curadoria peculiar de Quant, na época com apenas 21 anos. O espaço acendeu sua criatividade, e assim foi impulsionada pelo sucesso de um par de pijamas desenhado por ela que decidiu começar a produzir suas próprias peças.

Autodidata, usava suas noites para aprimorar suas habilidades fazendo diversos cursos sobre o métier. Demonstrando rapidamente seu talento não apenas para criação mas também para o tino comercial, as roupas produzidas em pequenos ateliers locais tinham preço competitivo e chegavam semanalmente alimentando a sede das clientes atraídas pelos designs únicos e o ambiente de música, drinks e horários alternativos que Bazaar oferecia.

Acima de tudo, muito mais que um local para compras, a Bazaar se tornou um ponto de referência e destino da turma mais cool da cena londrina justamente pela vontade de "entreter mais que vender". De vitrines deslumbrantes à instalações únicas, a loja foi precursora do segmento que futuramente daria luz às lojas conceito como Colette e Dover Street Market. A Bazaar foi epicentro do nascimento do swinging 60s, atuando como disseminadora de cultura e experiência em uma época em que isso não era falado. 

As peças eram influenciadas pelo street style londrino e pelo movimento mod e chamavam atenção pela simplicidade, tudo clean e impossivelmente moderno. Roupas com sex appeal e irreverência, prontas para serem usadas, sem nada daquela vibe tradicional da alta-costura. Não há consenso sobre quem de fato inventou a minissaia, porém, é inegável que Quant a tinha como assinatura e era sua maior entusiasta, entre suas marcas registradas, além dos comprimentos micro, capas de chuva e botas de chuva em PVC, meias calças coloridas e a capacidade de imprimir personalidade em tudo que criava, até sua lingerie era diferenciada, aliás ela foi a inventora das hot pants.

A capacidade ímpar de inovar, sem perder mão do lado comercial também contribuiu para o êxito e a Bazaar abriu sua segunda loja na King 's road. 

 

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Foto: Mary Quant (Reprodução/Instagram)

 

A revolução sexual e o ingresso da mulher no mercado de trabalho proporcionaram o cenário perfeito para o olhar visionário de Mary. Seu look pessoal também era transgressor, começando pelo corte de cabelos anguloso e curtinho, assinado por Vidal Sassoon. Sua carreira seguiu de vento em popa nos anos 60, assinando contrato de distribuição com uma gigante americana e criando sua linha mais acessível, Ginger Group. No fim da década, especula-se que 7 milhões de mulheres tinham ao menos um item by Mary Quant no armário, entre elas, inúmeras celebridades como Twiggy e Audrey Hepburn. 

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Foto: Twiggy (Reprodução/Instagram)

Durante os anos 70 a expansão foi ainda maior, além da moda, os segmentos de casa, beleza e cosméticos também foram conquistados, até uma boneca fez parte do leque de produtos. O lado pioneiro também pode ser observado em suas contribuições para o mercado masculino, desde os 60s com malhas da coleção de menswear que eram tão longas que remetiam à vestidos, à linha de skincare para homens que ela também foi das primeiras a propor no início dos anos 80. 

É incontestável que sua visão única revolucionou o varejo e a maneira que nos vestimos, mas seu legado transcende a moda. Além das roupas que celebravam liberdade e autonomia sobre o próprio corpo, sua trajetória como mulher de negócios também assegura seu lugar como um dos maiores ícones de empreendedorismo feminino. Descanse em paz, Mary Quant. 



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