O que a cenografia do show de Bad Bunny diz sobre cultura e pertencimento?

por Izabela Suzuki

Na noite de ontem (08), Benito Antonio Martínez Ocasio, mais conhecido como Bad Bunny, entregou um dos shows mais impactantes (e simbólicos) do intervalo do Super Bowl LX, no Levi’s Stadium, na Califórnia. Para além do look assinado pela Zara, o rapper chamou atenção pela narrativa potente construída por meio da cenografia.

Com cenografia desenvolvida pela Yellow Studio e direção criativa de Harriet Cuddeford, da agência See You Later, que já havia trabalhado com Bad Bunny em outras performances, o time transformou o campo do estádio em uma paisagem que misturava referências tropicais e urbanas, traduzindo o puro suco da cultura latina.

Bad Bunny lidera show vibrante no Levi's Stadium vestindo conjunto branco, cercado por dançarinas em roupas bege e branco.
Foto: Bad Bunny no Super Bowl LX 60ª (Reprodução/Kevin Mazur/Getty Images for Roc Nation)


os detalhes da cenografia do show de bad bunny que você pode não ter percebido

La Casita

O grande destaque ficou por conta de La Casita: uma réplica de moradias típicas de Porto Rico, que simboliza as comunidades de origem do reggaeton em uma Parranda de Marquesina — uma festa caseira popular da cultura porto-riquenha, com música alta, gente reunida e, claro, cadeiras de plástico. O cenário ainda contou com a presença de convidados como Jessica Alba, Pedro Pascal, Cardi B e Karol G.

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Mercado local, pequenos comércios, dança e uma forte sensação de comunidade ganharam vida no palco. Mais do que puramente estética, a cenografia funcionou como um retrato sensível da realidade de uma população latina que reconhece, no detalhe, o que aquele espaço representa: amor, afeto e a luta diária de uma classe trabalhadora.

Bad Bunny lidera performance com figurino branco de modelagem utilitária e chapéu de palha, em clima enérgico e teatral.
Foto: Bad Bunny no Super Bowl LX 60ª (Reprodução/Kevin Sabitus via Getty Images)

O protesto em El Apagón

Durante a performance de El Apagón, Bad Bunny também fez uma crítica direta à precariedade das redes de energia de Porto Rico, à privatização do sistema elétrico e aos constantes apagões que afetam a ilha. “Maldita sea! Otro apagón!

Bad Bunny veste terno branco clássico enquanto dança com Lady Gaga de vestido azul plissado e flores vermelhas.
Foto: Bad Bunny e Lady Gaga no Super Bowl LX 60ª (Reprodução/Thearon W. Henderson via Getty Images)

Lady Gaga e o crossover cultural

O crossover de Lady Gaga durante a apresentação de Bad Bunny não foi nada casual. A artista cantou uma versão latina de Die With a Smile, acompanhada da banda de salsa Los Sobrinos, encenando de forma quase teatral um verdadeiro casamento de culturas e tradições.

Bad Bunny veste terno branco oversized, rodeado por grupo animado com roupas casuais coloridas e esportivas.
Foto: Bad Bunny no Super Bowl LX 60ª (Reprodução/Ishika Samant via Getty Images)

A diáspora em Nuevayol

A transição dos cenários, das pequenas ruas com comércio local até bairros como Brooklyn e Washington Heights, simbolizou a realidade de milhões de porto-riquenhos que construíram suas vidas fora da ilha. A referência a “Nuevayol” reforça essa vivência da diáspora, marcada pela fusão constante entre cultura, memória e novas identidades.

Bad Bunny lidera grupo com roupas brancas e chapéus Panamá, em clima festivo e cultural, segurando instrumentos de percussão.
Foto: Bad Bunny no Super Bowl LX 60ª (Reprodução/Kevin Sabitus via Getty Images)

Redefinindo a América

No ato final, Bad Bunny listou todos os países do continente americano, de uma ponta a outra, deixando uma mensagem direta ao atual cenário político dos Estados Unidos. Com bandeiras em mãos e uma bola estampada com a frase “Together We Are America” (Juntos, somos a América), o artista propôs uma redefinição poderosa: a de que “América” não pertence a uma única nação, mas a todos os povos que a constroem.