O que são wearables e por que as grandes marcas de moda estão apostando neles?
Quais são os limites entre moda e tecnologia? De campanhas geradas por IA a desfiles com a presença de máquinas robóticas (não estou falando de Coperni, mas sim de Alexander McQueen em 1999), o encontro entre essas duas vertentes tem um currículo quase tão extenso quanto o da moda e dos esportes andando de mãos dadas nos últimos anos. Mas, indo além do imagético e do fator “uau” nas passarelas, a moda agora são os wearables — ou seja, dispositivos que são mais do que acessórios: são aliados do dia a dia com um leve toque de Black Mirror, se assim posso dizer.

mas, afinal, o que são os wearables
Pense nos óculos Meta AI da Ray-Ban, nos Apple Watches assinados pela Hermès ou nos anéis inteligentes da Ultrahuman desenvolvidos em parceria com Glenn Martens para a Diesel. Todos esses adereços fazem parte de uma nova era da tecnologia vestível, em que números e dados encontram o ready-to-wear nas passarelas.
E quem paga por eles e, de fato, usa esses acessórios?
De acordo com uma matéria publicada pelo Business of Fashion em dezembro de 2025, os dispositivos vestíveis são a categoria de acessórios que mais cresce, com uma taxa anual de 8,3% desde 2022. A previsão é que esse crescimento continue e, até 2030, ultrapasse a marca dos US$ 30 bilhões, abrindo uma nova frente para que a moda firme ainda mais parcerias com o mercado de tecnologia ao longo dos próximos anos.

Mais recentemente, uma matéria publicada pelo portal Fashionista revelou que a lista de presentes de Natal de 2025 foi “expressiva para a categoria”. As vendas online de relógios inteligentes aumentaram 285% em relação ao ano anterior, e a Oura Health vendeu cerca de 5,5 milhões de anéis inteligentes apenas nos últimos 12 meses.
então, será que a moda pega?
Veja: de um lado, temos fashionistas reconhecendo o crescimento do second hand como o novo luxo — a maneira mais cool de apostar em uma moda sustentável, menos mainstream e menos desenfreada. Elas usam estampas de cervo, minissaias plissadas, mix de cintos boho, uma estética vintage que combina casacos Penny Lane com óculos máscara dos anos 2000 e botas tabi. Não são, necessariamente, o público-alvo da tecnologia vestível.
Do outro lado, temos acessórios que transmitem naturalmente uma imagem corporativa, mais séria, alinhada a valores que muitas vezes destoam do desejo atual da geração mais nova de recusar o novo e voltar para o analógico. Não à toa a nostalgia está em alta — assim como o retorno do handmade na moda de luxo.
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No futuro, os dispositivos podem se unir-se à moda de uma forma mais desejável — mais como um objeto de pertencimento do que como um detalhe que chama atenção por alguns minutos de passarela ou propaganda.
