Tenho quase 30 e não me sinto completamente realizada e agora?

por Aline Santos

Preciso começar esse texto dizendo que, o meu erro foi ter criado expectativas para a minha fase ultra adulta e realização pessoal a partir dos filmes americanos de comédia romântica - até os 20 e poucos, eu ainda me sentia meio adolescente e meio adulta. Mas, um leve "trauma" de infância também me ajudou a sonhar, talvez, um pouco mais alto do que eu realmente deveria e poderia e tudo para provar que as pessoas estavam erradas sobre mim.

Sou filha de pais separados desde os 4 anos de idade e tenho um irmão mais novo por parte de mãe. Desde que o meu irmão nasceu e ela terminou o relacionamento com o pai dele, passamos a morar de favor na casa de parentes até o dia em que o meu avô, aceitou a minha mãe de volta na casa dele. Sendo solteira e com dois filhos para criar no meio de uma família religiosa, vocês devem imaginar por algumas das coisas que já passamos. Mas, uma em especial ficou marcada em minha cabeça e eu só tinha 7 anos. Presenciei uma briga na família na qual eu e meu irmão, fomos mencionamos como "futuros adultos perdidos na vida". Ouvi parentes falando que, pelo fato da minha mãe ter se divorciado duas vezes, isso iria refletir no comportamento dos filhos que, muito provavelmente seriam "pessoas do mal". Desde esse dia, lembro nitidamente que eu prometi em silêncio, que faria de tudo para honrar a minha mãe e mostrar que eu seria uma mulher bem sucedida. Não vou mentir, mas mesmo com todas as partes complicadas da infância, eu sempre tive total noção do quanto eu era privilegiada, pelo simples fato de ter meu pai presente aos finais de semana e por nunca ter me faltado nada.

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Comecei a crescer e compreender melhor sobre vida, carreira e dinheiro e dei início ao projeto de realização pessoal. Sabia que queria ter 30 anos e ser poderosa - e sim, tive como inspiração o filme De Repente 30 e isso só me deixou ainda mais fascinada pela "idade do sucesso". Talvez por isso, eu comecei a trabalhar desde nova e com 14 anos, eu já ganhava o meu próprio salário. Já trabalhei em muita coisa: ajudante me restaurante nas férias da escola, scouter de agência de modelos, como modelo, vendedora, cabeleireira, designer de sobrancelhas… Mas, a minha verdadeira paixão era escrever sobre moda, ser jornalista e estar cobrindo todos os desfiles. E assim eu me imaginava aos 30, mas com alguns detalhes à mais, como por exemplo, uma casa própria, o carro do ano, casada com alguém que amo e viajando duas vezes no ano para vários países diferentes. Eu sabia que só assim, aquelas pessoas do passado teriam respeito por mim e pela criação que recebi da minha mãe.

Mas afinal, porque sinto que ainda não cheguei lá? Vamos lá, não quero parecer ingrata e sou feliz por cada conquista até aqui, mas desde os 7 anos, eu idealizei uma vida com muito mais "emoção", digamos assim.

A minha lista de desejos para realizar até os trinta era extensa, mas me orgulho em estar há quase 1 ano e meio perto de completar e já ter riscado os pontos mais essenciais dela, como o trabalho dos sonhos, estar com alguém que amo e até já ter tido a oportunidade de viajar duas vezes para fora nos últimos anos. Mas afinal, porque sinto que ainda não cheguei lá? Vamos lá, não quero parecer ingrata e sou feliz por cada conquista até aqui, mas desde os 7 anos, eu idealizei uma vida com muito mais "emoção", digamos assim. Eu tenho quase trinta e não comprei a casa própria. O meu carro não é do ano e o meu passaporte continua quase vazio. E foi aí que me peguei pensando se eu estava querendo "chegar lá" por mim ou pelo o que eu queria apenas mostrar para os outros - ou parecer uma personagem de filme que vive em um conto de fadas. Mas, do que adianta um carro zero, se o usado tem 4 rodas igual e me leva para os mesmo lugares? Do que adianta viajar duas vezes no ano e não ter um amor para compartilhar o roteiro ou ter uma casa financiada e não poder me mudar quando der vontade? Foi aí que comecei a reavaliar as minhas prioridades e o que de fato, significava "chegar lá". Tá tudo bem desejar bens materiais e tudo bem querer calar a boca de alguém mostrando que você sempre teve potencial para crescer na vida, mas tenha em mente que nem tudo pode sair como o planejado e que os filmes americanos são apenas superproduções de Hollywood. Certifique-se que a sua realização pessoal está na frente de qualquer necessidade em provar algo para terceiros.

E é verdade que tudo o que for para ser seu, virá na hora certa.

Ter quase trinta anos assusta e às vezes, admito que finjo que não é comigo. Parece que eu fiquei presa nos 17 anos e é difícil acreditar que tudo passou tão rápido. Mas de uma coisa eu sei e valorizo, tudo o que conquistei até aqui - incluindo, esse espaço para escrever e contar a minha história para vocês que é, sem dúvidas, a minha maior e mais desejada realização pessoal. E é verdade que tudo o que for para ser seu, virá na hora certa.

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