Tudo o que eu economizei não saindo de casa e como você também pode economizar na quarentena

por Giovana Marcon

Sei que sou privilegiada e que minha realidade é muito diferente da maioria do país. Esse post é um relato totalmente pessoal de uma garota de classe média que conhece seus privilégios, mas que não sabe muito bem como lidar com o dinheiro que ganha. Não que eu esbanje de um estilo de vida farto e cheio de coisas materiais, muito pelo contrário. Pago meu aluguel, minhas contas, tudo o que consumo e também o empréstimo do FIES, que financiou os últimos anos da minha faculdade (e que vou continuar pagando por um bom tempo). E fora os essenciais, também gasto muito com Uber, já que não dirijo. Com transporte público também, e com aquele jantar fora para desestressar e com o barzinho de final de semana. Tudo isso ainda tendo que guardar uma porcentagem para um fundo de emergência - então não é raro eu pensar que o dinheiro simplesmente não vai dar naquele mês. Na verdade, tudo custa dinheiro, e você só se dá conta disso quando sai do seu próprio bolso. Então quando comecei a economizar na quarentena, posso dizer que foi uma boa surpresa. 

Com a quarentena, naturalmente muito desses gastos diminuíram. Eu não como fora todos os dias, até porque não tem como. Não vou ao salão de beleza fazer as unhas ou cortar a franja e não gasto 50 reais com apenas um drink no final de semana. Então acho que posso afirmar que o saldo é positivo - pelo menos na conta do banco. Colocando todos esses gastos na ponta do papel, foi isso o que aconteceu:

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É muito dinheiro, né?  E fazendo as contas, é mais ou menos isso que estou economizando nesse período em casa. Gasto menos com comida, pois cozinhar em casa é muito mais barato - tem um delivery uma vez ou outra, mas nada comparado à minha rotina de antes. Uber eu pego pouquíssimas vezes, só quando realmente preciso sair de casa. A franja eu corto em casa, com a ajuda da minha chefinha, Catharina, enquanto o cabelo estou deixando crescer. Eu poderia fazer minhas unhas em casa, mas tenho preguiça, então estou simplesmente deixando-as sem esmalte e mais naturais. Os drinks não estão rolando e eu não tenho muito o hábito de beber em casa, então apesar de sentir falta da interação social, é uma boa economia no mês. E como estou o tempo todo em casa, a tentação de comprar um café na Starbucks ou um docinho na lojinha do lado do escritório não existe - o que de fato me fez até perder alguns quilos. 

Em geral, eu claramente gostaria de estar vivendo minha vida antes da pandemia, sem restrições e sem medo. Mas não posso negar que a economia veio em uma boa hora e que tudo o que eu não estou gastando vai fazer uma diferença e tanto mais pra frente. Depois de anos, estou finalmente conseguindo guardar dinheiro e pretendo continuar assim! Percebi que muitos gastos eram desnecessários - que o café que eu faço em casa também é gostoso e que eu não preciso gastar R$20 num chai latte todos os dias. Acredito que muitos dos meus hábitos em relação ao meu dinheiro irão mudar junto com a quarentena e, apesar de estarmos em uma situação desesperadora, me mantenho otimista sobre o futuro.

Claro, sei que não utilizar muitos desses serviços pode ser prejudicial à muitas pessoas, a intenção aqui é somente gastar com mais consciência, e de forma alguma deixar esses profissionais de lado ou inutilizar esses serviços. Assim que puder, não vejo a hora de voltar a fazer minhas unhas e a comprar meu docinho da tarde, mas talvez sem o peso na consciência de que "pode ser que eu não tenha o suficiente para pagar o aluguel esse mês", sabe?

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