Tudo sobre transição capilar, parte I

por Giovana Marcon

Começamos hoje uma série de posts e relatos sobre transição capilar! Conversamos com a visagista Bárbara Giriotas, que é especialista em cabelos cacheados, crespos e ondulados, e ela dá algumas dicas essenciais para quem está pensando em fazer a transição. Nossa look stealer Clau também conta como foi esse processo e como foi da química ao cabelo 100% natural. Vamos? Começando pelas dicas da expert dos cachos, Bárbara Giriotas:

Transição capilar é um momento muito especial de auto conhecimento. Muitas clientes se transformam por completo ao conhecer sua raiz e se libertam não só do alisamento, mas de tudo que as aprisiona na vida. Ao tomar essa decisão libertadora o primeiro passo é investir em produtos próprios para sua textura para não danificar ainda mais a parte com química de alisamento.

1. Após muito tempo alisando o couro cabeludo sofre muita agressão e fica inflamado, prejudicando o crescimento e a oleosidade. Para equilibrar, escolha shampoos mais hidratantes, que façam pouca espuma. Ao lavar faça muita massagem, pelo menos 3 minutos e repita duas vezes, isso estimula a circulação sanguínea, o que ajuda a melhorar o crescimento. Shampoos mais botânicos com tea tree e alecrim. por exemplo. são ótima opção. Evite ficar muitos dias sem lavar, faça o processo no máximo a cada 3 dias.

2. Pare imediatamente de fazer escova , chapinha e babyliss, a temperatura alta e a tração só vai prolongar a transição porque removem as cutículas, que são a proteção do cabelo. Deixar secar natural é a melhor opção para começar a se familiarizar com a textura diferente.

3. Evite prender também, a Hair line é mais fina e quebra com facilidade.

4. O corte apropriado feito a seco ajuda a tirar o peso e melhora a definição dando mais movimento a parte ainda com química. Ideal cortar a cada 4 meses e hidratar toda vez que lavar.

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5. O cabelo alisado pode estar selado por químicas ou extremamente poroso, por isso a hidratação é fundamental no momento da transição capilar. Hidrate toda vez que lavar, de preferência com produtos que contenham manteigas naturais.

6. Reconstrução enrijece o fio, prejudicando a formação dos cachos, que precisam ser mais maleáveis para poder torcer e definir.

7. Óleo de côco não hidrata! Ele impermeabiliza o fio e repele água, sua molécula é muito grande e gordurosa podendo até prejudicar o couro cabeludo!

8. Cortar tudo de uma vez ajuda a ver a evolução mais rápido, mas se não está confiante comece mudando sua rotina para aprender a cuidar primeiro. Não faça o corte por impulso pois pode se arrepender e voltar a alisar.

9. A finalização é muito importante e melhora o aspecto esticado das pontas. Desde o condicionador, faça fitagem, que é massagear bem pequenas mechas e separar somente com os dedos, sem usar pente nem escova. Continue massageando até sentir que o cabelo está todo macio, sem nenhuma parte áspera - esse processo ajuda a alinhar as cutículas deixando o cacho mais definido e sem frizz.

10. Aplique o finalizador sempre com o cabelo bem molhado, o cacho é a junção de vários fios que, quando estão molhados, se unem com mais facilidade. Isso ajuda o finalizador a manter a forma e o cabelo não fica pesado. Depois de aplicar o finalizador, com a cabeça para baixo, aperte o cabelo de baixo para cima várias vezes, esse estímulo é muito importante para a definição. Continue apertando até melhorar a forma. Depois é só usar um tecido liso de algodão ou toalha de microfibra para terminar de tirar a água e não mexer mais enquanto seca.

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Foto: Claudiana Ribeiro (Reprodução)

Iniciei minha transição capilar no ano de 2014, eu já tinha terminado o ensino médio e como eu não tinha emprego e não sabia ao certo que iria fazer em 2014, eu decidi que não iria mais relaxar o meu cabelo, e foi assim que comecei. Comecei a cortar as partes lisas aos poucos, enquanto o meu cabelo crescia, eu estava com o cabelo tingido, então conseguia ver o crescimento.

Como eu ficava em casa, saía para fazer somente um curso durante a semana, não foi tão complicado passar por essa fase de duas texturas e, também, eu não me importava em cortar. Na verdade, hoje eu me arrependo de não ter raspado!

Na época eu tinha muitas referências de blogueiras em transição, mas achei uma página no Instagram que estava com um grupo no WhatsApp, que compartilhavam dicas, produtos e suas vivências nas transição. Entrei para ver como era e faço parte do grupo até hoje, acredito que elas foram as minhas maiores inspirações, ajuda e apoio, acredito que em momentos como esse você precisa estar pronta e com pessoas que vão te apoiar.

Meu cabelo nunca teve um super crescimento, ainda mais no início, por não ter os produtos certos, não sabia como finalizar e hidratar. Então em um ano ele pareceu ter o mesmo tamanho, mas não foi algo que me abalou.

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Foto: Claudiana Ribeiro (Reprodução)

Em 2015 eu já queria começar a mudar, então fui atrás de trancistas para me ajudar com o cabelo. Comecei achar referências na internet e encontrei alguém para fazer. Na época todo mundo amou - e eu amei muito - era algo que me ajudava muito no começo, além de me achar poderosa hahaha. Em 2015 eu me aventurei muito no cabelo natural - além das tranças, eu pintei de castanho, descolori e pintei de azul (sim, pintei meu cabelo de azul). Eu sai de uma química e fui para outra - descolorantes, tinturas e tonalizantes - e com isso meu cabelo começou a quebrar e acabou ficando sem forças para crescer. 

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Em 2016 coloquei tranças sozinha pela primeira vez e os produtos para cabelos cacheados já estavam disponíveis, então consegui manter meu cabelo de uma forma melhor, usando tônicos capilares para crescimento. Nesse ano eu usei 3 modelos de tranças diferentes e, no final do ano, descolori o cabelo novamente.

Para iniciar 2017 de uma forma diferente, tonalizei ele de rosa, mas vi que o cabelo já estava pedindo socorro e voltei a tingir de castanho. Depois disso, nunca mais descolori o cabelo totalmente ou colori ele.

Com isso mantive meu cabelo nas tranças. Nunca fui de usar muitos acessórios, mas eles foram meus aliados no inicio da transição - bandanas e lenços me salvavam quando não sabia o que fazer com as duas texturas. 

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Foto: Claudiana Ribeiro (Reprodução)

Hoje meu cabelo mostra um melhor crescimento, por conta dos produtos e técnicas que uso para o cuidado. Mas em todo esse processo eu fui e continuo sendo minha maior inspiração. Eu sempre ficava pensando como seria entrar na faculdade de moda com o cabelo feio que eu tinha, se eu conseguiria um trabalho com aquele cabelo “alisado”, muita coisa já era difícil, até nos relacionamentos eu tinha dificuldade, imagina em uma empresa? Mas quando eu iniciei a transição, muita coisa muito mudou. Eu já me comportava de forma diferente e me via de forma diferente, minha atitudes mudaram, foi uma transição capilar completa.

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