Tudo sobre transição capilar, parte II

por Giovana Marcon

A look stealer e assistente de projetos Clau já compartilhou com a gente como foi o processo de transição capilar e de assumir os cachos de uma vez por todas. Também conversamos com a especialista Bárbara Giriotas, que deu algumas dicas importantes para quem está iniciando a transição - e tudo isso você pode conferir na parte I dos posts sobre transição capilar.

Agora entramos na parte II com mais dois relatos que podem ser o empurrão que você precisava para também começar essa mudança. Convidamos Thais Roque, coach de carreira e colaboradora do PUSH, e Camila Flores, expert em administração de empresas, para contar duas visões diferentes de como a transição pode afetar sua vida e autoestima. 

Começando com Thais, que iniciou a transição há pouco tempo e ainda está vivendo a montanha russa de emoções da mudança capilar, olha só:

Thais Roque - transição capilar - cabelos - inverno - em-casa - https://stealthelook.com.br
Foto: Thais Roque (Reprodução)


Eu cheguei à conclusão de que queria parar de alisar meus cabelos em um dia que parei para observar minha filha. Aí me deu um estalo e eu me perguntei "Por que o cabelo dela é tão lindo e o meu não? Por que o dela eu acho perfeito e no meu só vejo defeitos?". Então pensei que, se eu quero ser um exemplo para ela, eu tenho que aceitar quem eu sou.

Comecei a postar no Instagram e a pedir dicas - muita gente me indicou vários cremes e produtos que comprei. Alguns me adaptei, outros não, mas eu ainda estou na metade do caminho. Estou no meio da transição, então metade do meu cabelo já está sem química e a outra metade ainda está com. Mas aprendi que secar os cachos com difusor é melhor, conheci a marca Lola Cosmetics para cachos, conheci um novo mundo. Descobri, supreendentemente, que o meu cabelo natural me dá muito mais trabalho do que o meu cabelo liso.

Thais Roque - transição capilar - cabelos - inverno - em-casa - https://stealthelook.com.br
Foto: Thais Roque (Reprodução)

Tem dias que eu amo estar com o meu cabelo natural, tem dias que emocionalmente eu não me reconheço e que me sinto desarrumada. É algo que compartilho no meu Instagram e que, quando digo que não sei se estou gostando, muitas pessoas se identificam e sempre me aconselham a seguir meu coração - seja para seguir com a transição ou mantê-los lisos. 

Mas agora eu decici cortar para ver como é meu cabelo sem nenhuma química e um pouco mais curto. Eu já tinha vontade de tê-lo mais curto e achei que seria uma boa hora para fazer o famoso big chop. Eu ainda sou uma aprendiz lidando com esse novo cabelo, porque, na verdade, nós nunca fomos estimuladas a assumir os cachos. Só recentemente que surgiu esse movimento e eu tenho me orgulhado bastante. Quando eu penso em não alisar mais fico muito orgulhosa, mas ao mesmo tempo eu ainda preciso me reconhecer nessa nova história. É um desafio, mas eu estou disposta a enfrentar, porque quero que minha filha se orgulhe de quem ela é e que isso começa comigo me orgulhando de quem eu sou.

Quando eu penso em não alisar mais fico muito orgulhosa, mas ao mesmo tempo eu ainda preciso me reconhecer nessa nova história.

Ao contrário de Thais, Camila Flores, profissional em estratégias comerciais e reestruturação de modelos de negócios (e amiga da nossa editora-chefe, Catha), já passou pelo processo e conta como foi sua relação com os cabelos até a transição:

"Sempre que lembro da minha adolescência, lembro da relação que tinha com meu cabelo. Lembro de como queria ser aceita, de como queria me encaixar, de como queria me sentir bonita e como queria me achassem bonita, mas como isso era difícil pra mim – até hoje luto por isso.

Nasci e cresci em Porto Alegre, uma cidade que apesar de ser capital, é uma cidade pequena (1,4MM de habitantes) e com costumes de cidade pequena. Minhas amigas e as mulheres em minha família, todas tinham cabelo liso. Eu, o cabelo cacheado, grosso, volumoso e rebelde. Me sentia a “diferentona”. Com 13 anos não era legal ser diferente das minhas amigas.

Camila Flor - transição capilar - cabelos - inverno - em-casa - https://stealthelook.com.br
Foto: Camila Flores (Reprodução)

"Como sempre me vi diferente, nunca senti que fazia parte realmente do grupo que andava. Pra facilitar minha vida, meus colegas de classe diziam que eu tinha cabelo ruim e duro e me apelidaram de “Camiluro”. Fizeram até uma rima carinhosa– “Camiluro, Camiluro, vai cuidar dos teus cabelos duro”. Era super legal ir pro colégio.

Em casa, era uma briga. Meu pai não me deixava alisar os cabelos. Se eu alisava, eu ficava feia para ele. Se eu deixava natural, eu me achava feia. Difícil criar uma identidade assim né? Somente com 17 anos consegui convencer meus pais a me deixar fazer um desses alisamentos permanentes.

Em 2011 eu me mudei pro Rio de Janeiro, a trabalho, e seguia com as progressivas. Mas fui me afastando de coisas que me afastavam de mim e fui me conhecendo melhor, me aproximando de mim. Além de estar longe da “província”, no Rio as pessoas são mais descontraídas, acho que isso facilitou meu processo."

Hoje meu cabelo é uma parte importante de quem eu sou. Cuido dele com carinho, porque entendi que estou cuidando de mim.

Em 2012 foi quando tive um estalo assistindo TV. O cabelo da Juliana Paes na minissérie “Gabriela” era igual ao meu, e era lindo! Eu achava, todo mundo achava! Porque eu não podia assumir meus cachos também?! Não pensei duas vezes e mandei e-mail para a Globo para saber quem fazia o cabelo da personagem. Descobri quem eram os profissionais, não pensei muito e marquei. Decidi que ia me dar de presente de aniversário de 25 anos.

Cheguei no salão acompanhada da minha mãe. Lembro de estar muito nervosa e morrendo de vergonha. Sentei na cadeira do cabelereiro e falei “QUERO O CABELO IGUAL AO DA JULIANA PAES EM GABRIELA”. Ele me explicou com o processo seria. Naquele momento não adiantava só o corte, meu cabelo precisava passar por uma série de tratamentos (hidratação, reconstrução e mais um monte de coisas) para que eu ficasse feliz com o resultado. E eu fiz tudo! Foi caro, mas não me arrependo!

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Foto: Camila Flores (Reprodução)

Durante um período, passei a ter uma rotina de ir ao salão toda a semana para fazer os tratamentos e bastante investi em produtos. Brinco até hoje que meu cabelo se alimenta melhor do que eu. Hoje meu cabelo é uma parte importante de quem eu sou. Cuido dele com carinho, porque entendi que estou cuidando de mim. Entendo que é uma parte importante minha. Me sinto eu mesma quando estou com ele ao natural. Ele tem personalidade, humor e temperamento assim como eu. Tem dias que é difícil doma-lo. Ele é igual a mim. Ele sou eu. Brinco com ele como quero. As vezes aliso e digo que é meu alterego, as pessoas nem me reconhecem!

Estou em processo diário de construção da minha autoestima, assunto que trato na terapia toda semana, e vejo que ter assumido meus cabelos originais de fábrica formam uma etapa muito importante do processo. Hoje, com 33, é bem legal ser diferente. 

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