Você sabe o que é moda agênero?

por Giulia Coronato

Recentemente, enquanto fazia minha leitura matinal nas minhas plataformas de moda favoritas, me deparei com um relato incrível e sincero de Christian Allaire, para a Vogue Americana, onde ele contava que como parar de comprar roupas por gênero fez ele se apaixonar de novo pela indústria. O texto, que tinha uma perspectiva super pessoal, me fez refletir como - até hoje! - as divisões do que é feminino e masculino na moda, nos escravizam e nos fazem muitas vezes não brincar e experimentar tanto com nossas roupas. E é aí que entra a necessidade e a relevância da moda agênero

Se você nunca entendeu o que significa o conceito de moda agênero, calma que a gente te explica. Desde o início daquilo que conhecemos como moda, em meados do século XVI, o vestuário sempre foi dividido entre masculino e feminino. Não era permitido que mulheres usassem calças, por exemplo. Então, quando falamos de uma moda agênero, ou genderless, estamos falando de uma moda que não segue essas amarrações, onde não existe atribuições de gêneros para peças de roupa.

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Foto: Harry Styles (Reprodução/Instagram)

Atualmente, estamos vivendo um momento revolucionário na indústria, onde celebridades, fashionistas e pessoas influentes estão cada vez menos se preocupando com o fato de uma peça ter sido destinada a uma mulher ou a um homem. Nomes como Harry Styles, Billy Porter, Lil Nas X e Billie Eilish são ótimos exemplos de celebs que deixaram para trás a distinção de gênero no vestuário, e usam aquilo que gostam e se sentem bem. E cá entre nós, o que um pedaço de tecido tem a ver com o gênero que você se identifica?

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Foto: Billie Eilish (Reprodução/Instagram)

E engana-se você, que pensa que a moda agênero tem a ver com identificação sexual ou de gênero, apesar do termo ter surgido na comunidade LGBTQIA+, como forma de protesto, usar peças que não são típicas do gênero que você se identifica não significa nada, além de você ter gostado da roupa. Quantas peças legais e a sua cara você acha que já passaram despercebidas por estarem simplesmente no setor oposto ao do gênero que você se identifica?

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Foto: Billy Porter (Reprodução)

Quando falamos de premiações ou eventos do show business, está ficando cada vez mais comum, homens abrindo mão do clássico smoking para experimentar e ousar mais no vestuário, o que é extremamente revigorante e divertido de ver. Billy Porter, foi o precursor desse movimento em direção a uma moda - principalmente masculina - sem amarras e preconceitos. 

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Foto: Inaê Ribeiro (Reprodução/Instagram)

Depois de anos engasgando e mal interpretando o conceito de moda agênero, finalmente estamos vendo marcas e estilistas que compreendem e criam roupas para pessoas, e não para gêneros. Vista Magalu, é um ótimo exemplo! Desde a sua primeira coleção, as peças, da marca de roupa do Magazine Luiza, não possuem diferenciação entre o masculino e o feminino. A modelagem é clássica e funciona para todos, além da grade de tamanho super ampla e democrática. 

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Foto: Kid Cudi (Reprodução)

Estudiosos sugerem que a moda agênero é o futuro da indústria, diversas marcas de luxo já não dividem mais suas coleções entre masculino e feminino, e modelos de gêneros diversos aparecem em uma mesma passarela, com peças sem distinções. Mas, muitas pessoas que tentam consumir uma moda genderless enfrentam uma grande dificuldade em relação a tamanhos. Por exemplo, homens que querem usar um vestido ou uma saia, muitas vezes não encontram sua numeração, pois a grade feminina não é tão ampla, ou a modelagem não se encaixa em um corpo masculino. O que indica, que apesar de progressiva, a moda agênero ainda tem um longo caminho a percorrer para ser realmente acessível.

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Foto: Kim Duong (Reprodução/Instagram)

Como todo progresso, a inclusão da moda agênero é lenta, mas o movimento deve ser constante. O mais importante é ter a escolha, poder definir a forma que quero me vestir e ter acesso à roupas que me sirvam, e tenham a ver com quem eu sou. 

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