A alta na prática de exercícios físicos: o wellness como protagonista

por Izabela Suzuki

Recentemente, me deparei com uma postagem do escritor e jornalista Jorge Grimberg sobre o conceito de wellness ser o "novo luxo". No texto, Grimberg comenta como as grandes empresas de tecnologia (os famosos tech guys) nos influenciam a buscar o bem-estar acima de outras prioridades. Ele conclui sua reflexão mencionando que, poucos anos após a pandemia — um período em que atividades em grupo e a intimidade foram restritas —, estamos agora mais interessados em nos sentirmos bem do que em adquirir novas roupas. Mas será mesmo?

É difícil afirmar que, em algum momento, as pessoas deixarão de comprar roupas para priorizar o bem-estar. Especialmente nesta era de disseminação rápida de informações, unboxings e dupes, em que somos constantemente tentados a adquirir aquela peça tendência simplesmente porque encontramos uma versão quase idêntica a um preço muito mais acessível. Pensar que o wellness será colocado acima de uma nova compra parece, de fato, utópico.

Isso não é uma crítica aos produtos mais acessíveis, longe disso — é algo totalmente compreensível. Mas esse é um tópico para outra hora, pois, se não, essa discussão fica longa demais, e sabemos como pode ser difícil prender a atenção por muito tempo. Embora eu tenha mencionado que priorizar o bem-estar ao invés de uma bolsinha nova pareça uma ideia quase utópica, não é algo impossível. Com o tempo, e depois de tanto consumo, podemos enfrentar uma temporada de recessão e uma "desinfluência" no mercado, que pode mudar nossos hábitos de compra, a nossa busca pelo bem-estar e a alta na prática de exercícios físicos.

Pessoas praticando ioga em sala usando conjuntos esportivos modernos com cores vibrantes e neutras, incluindo tops ajustados e shorts de alta cintura. Tendência esportiva com foco em conforto e estilo moderno, acompanhada por meias brancas e garrafas
Foto: O aumento na busca por "Pilates" cresceu cerca de 250% desde o período pré-pandemia (Reprodução)


Estudos internacionais indicam um crescimento global nas modalidades de ciclismo indoor, como o spinning, e o Brasil segue essa tendência. Em 2021, o setor de academias registrou um aumento de 30% na demanda por aulas coletivas, com destaque para o Hot Yoga e o spinning. Embora ainda não existam dados concretos sobre o crescimento da procura entre 2023 e 2024, os números coletados pelo Itaú Unibanco mostram que a Geração Z foi a que mais buscou novas atividades e modalidades, com um aumento de 65% no volume de compras, marcando o maior salto no consumo de itens relacionados a academias e fitness.

Duas mulheres vestindo roupas de academia posam para foto. Uma delas usa top branco e calça legging verde escura, enquanto a outra usa conjunto de top e calça legging roxa. Ambos os looks são tendências no segmento fitness, destacando conforto e estilo.
Foto: E a Geração Z foi a que registrou maior aumento nessas buscas e práticas (Reprodução/Pinterest)

A alta na prática de exercícios físicos também tem crescido graças às rotinas compartilhadas no Instagram por pessoas comuns, que decidiram mostrar suas jornadas em busca de uma vida mais saudável e equilibrada. São muitos os métodos divulgados. Há quem acorde cedo para dedicar um tempo extra ao bem-estar mental e físico, quem prefira (ou só consiga, considerando a realidade de cada um) praticar atividades à noite, e até aqueles que tentam se exercitar ao menos uma ou duas vezes por semana.

Se você é do tipo que consome esse tipo de conteúdo, provavelmente já ficou tentado a criar sua própria rotina de wellness. Isso gera um efeito cascata, atraindo cada vez mais pessoas a priorizarem o bem-estar.

O que é ótimo, desde que você faça isso por prazer e não por uma cobrança excessiva, que pode transformar um momento de relaxamento e diversão em uma obrigação frustrante. Por isso, ao consumir esses conteúdos, é importante manter um filtro e evitar que a comparação se sobreponha ao seu processo pessoal.

Quem também passou a investir no segmento de exercícios físicos foram as marcas. A Céline, por exemplo, lançou uma coleção de luxo dedicada ao Pilates. A marca francesa agora oferece equipamentos com logotipo, como kettlebells, tapetes e roupas, todos projetados com foco no luxo e na estética californiana, apostando no crescimento do mercado de athleisure.

Para você ter uma noção do tamanho desse segmento, uma matéria publicada pela SGK (Schawk, empresa especializada no desenvolvimento e implantação de marcas) apontou que o mercado de athleisure foi avaliado em US$ 155,2 bilhões em 2018, com previsão de atingir US$ 257,1 bilhões até 2026.

Esse crescimento do mercado de roupas, somado à busca por novas modalidades de exercícios e ao compartilhamento de rotinas saudáveis no TikTok, nos leva novamente à Geração Z. Um exemplo é a Lululemon, marca canadense famosa por artigos de sportswear, que recentemente mudou completamente sua estratégia de público-alvo, focando agora em jovens adolescentes e até mesmo pré-adolescentes. Essa mudança busca competir com grandes concorrentes, como a ALO Yoga, que estão em plena ascensão.

E qual é a razão pelo qual as marcas estão buscando cada vez mais um público mais jovem? Será que eles são mais suscetíveis à influência? Talvez. Porém, o ponto principal pode ser o fato de que essa nova geração tem uma consciência mais aguda sobre o bem-estar e a saúde mental, priorizando essas questões acima de outras.

A busca pelo wellness não é limitada somente a exercícios físicos. Desde o último ano, o interesse por métodos que ajudam a melhorar a qualidade do sono, a prática de manter diários pessoais e a valorização da terapia têm crescido substancialmente. Isso reflete uma mudança cultural, na qual o bem-estar holístico, que inclui corpo e mente, se torna central na vida dessas pessoas. As marcas de sportswear, como a Lululemon e seus concorrentes, ou até mesmo as grandes grifes, reconhecem essa tendência e veem na Geração Z um público que não apenas consome produtos, mas também adota práticas que promovem o bem-estar, o que os torna um segmento-chave a ser conquistado.

Alta na prática de exercícios físicos.
Foto: Apesar do aumento, pode ser que enfrentemos um período de "desinfluencia" (Reprodução/Pinterest)

No entanto, há um ponto para ficarmos atentos: apesar de a busca por bem-estar e saúde mental estar em alta, as marcas precisam estar atentas a uma possível recessão da influência. O consumo está passando por uma transformação, e, aos poucos, as pessoas podem adotar hábitos menos impulsivos e mais conscientes.

O foco no wellness não significa apenas a procura por produtos que sustentem essa nova rotina, mas também uma mudança nas prioridades. Com um cenário econômico incerto e crescente preocupação com sustentabilidade e crises climáticas, é provável que o consumidor se torne mais seletivo, comprando apenas o essencial e produtos que ofereçam um valor real e duradouro. Isso significa que as marcas devem adaptar suas estratégias para um público mais atento à qualidade e à relevância, ao invés de simplesmente tentar atrair pela tendência do momento. E aí, o que você acha?

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