Dia Internacional da Mulher Negra Latina e Caribenha: conheça a história por trás dessa data

por Inaê Ribeiro

Hoje, dia 25 de junho, se comemora o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma data que carrega grande peso histórico e social. A data nasceu em 1992, durante um encontro de mulheres negras em Santo Domingos, na República Dominicana, com o objetivo de dar visibilidade à luta da mulher negra contra a opressão de gênero, a exploração e o racismo. 

A partir desses encontros, as mulheres negras entenderam que apenas a união entre elas seria capaz de mudar esse cenário de desigualdade, que acontece até hoje. Foi então que surgiu a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-Caribenhas que, junto à Organização das Nações Unidas (ONU), definiram que dia 25 de julho seria o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha.

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Foto: shabazzborn (Reprodução/Instagram)

Segundo o IBGE, a população negra corresponde a 54% do povo brasileiro, já a  Associação de Mujeres Afro, na América Latina e no Caribe afirma que 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescentes. Os números são grandes e estão diretamente ligados a desigualdade que essas pessoas sofrem, que é ainda pior com mulheres. 

A mulher negra é a principal vítima de feminicídio, das violências doméstica, obstétrica e da mortalidade materna, isso sem falar que são elas quem estão na base da pirâmide social do nosso país. Além de ser vítima do sexismo, a mulher negra ainda possui outra barreira, o racismo, por isso falar sobre o espaço dessas mulheres na sociedade é um dever e necessidade de todas nós, é sim necessário que a gente se una, ouça e dê espaço para mulher negra se desenvolver e quebrar esse ciclo de falta de oportunidades.

falar sobre o espaço dessas mulheres na sociedade é um dever e necessidade de todas nós

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Foto: Tereza de Benguele (Reprodução)

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A data de hoje há um peso ainda maior no nosso país, pois, desde 2014, celebramos o Dia Nacional de Tereza de Benguela, uma líder quilombola símbolo de luta e resistência do povo negro. Tereza ajudou no desenvolvimento de comunidades negras e indígenas na resistência à escravidão no século XVIII. 

Após a morte de seu marido, José Piolho, Tereza se tornou líder do Quilombo Quariterê, no Mato Grosso e foi assim por décadas, até ser morta em uma emboscada. A liderança de Tereza mostra o quanto o protagonismo das mulheres negras em nosso país é forte, sempre quebrando paradigmas, por lá ela criou um parlamento local, organizou a produção de armas, a colheita e o plantio de alimentos e chefiou a fabricação de tecidos. 

Tereza é mais um exemplo de que a valorização da mulher negra deve ser acontecida, celebrada e claro, dada a oportunidade.

O nosso país nega o racismo, há leis a respeito, mas ainda assim a sociedade é essencialmente racista, ainda oferecem salários menores à mulheres negras, não oferecem cargos de liderança à elas e repetem padrões onde apenas as sexualizamos.

A data de hoje não é apenas uma celebração, ele reforça a luta histórica das mulheres negras. Trata-se sobre dar voz a vida delas, ao fato de estarem seguindo conquistando e transformando um mundo, apenas por estarem vivas realizando o que bem entenderem, é uma quebra da invisibilidade que ainda há a respeito dessas mulheres. 

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