Emmy Rossum revela os desafios de interpretar uma agente do FBI cheia de segredos em “Fúria”

por Miriam Spritzer

Desde que começou a sua carreira, ainda adolescente, Emmy Rossum, mostrou que não era uma atriz que ficaria presa em um gênero só. Viveu personagens que vão de Christine Daaé em O Fantasma da Ópera no cinema, a Fiona Gallenguer na série Shameless, e é quase impossível pensar em qualquer outra atriz nestes papéis. E o mesmo acontece na nova série, Fúria que acaba de encerrar a sua primeira temporada na Disney+.

Emmy Rossum revela os desafios de interpretar uma agente do FBI cheia de segredos em Fúria, em jaqueta azul-marinho tensa.
Reprodução: Disney+

Emmy interpreta Alice Black, uma agente do FBI cheia de ambiguidades e contradições, que ao tentar capturar uma serial killer se depara com um caso que a afeta diretamente. Além de estrelar na produção, ela também é produtora executiva, título que não ficou apenas no papel. Junto à criadora e roteirista da série, Elizabeth Meriwether, pode colaborar de fato na criação de sua personagem e construir a sua identidade de sobrevivente e manipuladora. 

A produção foi levemente inspirada no filme O Mistério da Viúva Negra de 1987, mas pelo formato de série, pode-se explorar ainda mais o caso de uma mulher serial killer e todo o contexto que a leva cometer seus crimes. Mas a série não fica apenas aí, também traz à tona todo um questionamento sobre o que, de fato, é justiça quando um crime é cometido por uma vítima de outro. 

A série é tão viciante que foi confirmada para a sua segunda temporada, antes mesmo do último episódio ir ao ar. E Emmy voltará no papel que considera um de seus maiores desafios como atriz. E para marcar o fechamento desta primeira temporada, ela bateu um papo exclusivo com o Steal the Look. 

STL: A Alice é totalmente imprevisível, a gente tem a sensação que não a conhecemos de verdade, até o último episódio. Como foi abordar esse contraste entre a manipulação e vulnerabilidade dela? 

Emmy Rossum: Sim, acho que ela é bem complicada. Ela é uma sobrevivente, é vítima de violência. É alguém extremamente poderosa e, ao mesmo tempo, alguém que no passado foi muito oprimida. Ela tem muitos segredos. É muito boa em fingir e em mentir. Acho até que ela se sente mais confortável quando faz isso. O mais difícil para ela é ser vulnerável. Assim como Catherine (a personagem de Lola Petticrew), Alice também passa a maior parte do tempo atuando. Acho que só quando ela está realmente em casa, ou em alguns poucos momentos com Danny e Nora, que a gente vê a pessoa de verdade. 

Emmy Rossum revela os desafios de interpretar uma agente do FBI cheia de segredos em Fúria com tricô canelado off-white e
Reprodução: Disney+

STL: A relação entre Alice e Catherine parece ter tido muito cuidado para ser construída.  

Acho que existe muita ternura ali, e também muita obsessão. Não acho que a Alice acredite que ela merece ou que possa conquistar justiça para si mesma, mas ela pode fazer isso para Catherine e outras mulheres. A cena das duas no abrigo, quando Alice conta a história do shampoo no cabelo é um exemplo disso. Essa história é verdadeira, mas ela só consegue contar porque está fingindo ser outra pessoa. Acho que seria difícil demais admitir que aquilo era real, que era sobre ela mesma.

STL: Numa época em que muitas produções sentem a necessidade de explicar tudo para o público, a ambiguidade é uma parte tão grande dessa série. Como produtora, como foi garantir que a série mantivesse isso? 

Emmy Rossum: Eu e a Liz estávamos muito alinhadas sobre o tipo de história que queríamos contar e a forma como queríamos contá-la. E não encontramos muita resistência, graças ao roteiro. Isso é mérito da Liz, da força do trabalho dela e do poder inegável da construção de personagens O enredo é empolgante, cheio de reviravoltas. Mas tudo nasce das pessoas e das decisões que elas tomam, é daí que a trama se desenvolve. Acho que é isso que cativou tanto o público. 

STL: E o que você guardou do set? 

Emmy Rossum: Uma réplica de arma que eu usei no período de ensaios. É uma arma de plástico, num laranja bem vivo. Nas semanas antes das gravações, além de ter feito treinamento para aprender a atirar, eu queria que a arma parecesse fazer parte do meu corpo de verdade. Eu usava em um coldre preso na calça o dia todo. Podia estar na minha mesa revisando o roteiro ou trabalhando em alguma outra coisa. Programei um alarme no meu celular, e toda vez que tocava, tinha que acertar três alvos diferentes espalhados pelo cômodo, e precisava guardar a arma no coldre e depois recolocá-la sem olhar.

STL: Isso é maravilhoso. 

Emmy Rossum: De verdade, eu não queria nunca ficar desajeitada com ela. Queria que fizesse parte do meu corpo.

STL: Realmente o treinamento fez efeito na série. 

A primeira temporada de “Fúria” está disponível no Brasil pela Disney+

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