Olivia Wilde revela os bastidores de O Convite e seu olhar por trás das câmeras
O Convite finalmente permite que o mundo veja Olivia Wilde como a grande diretora de cinema que é. De fato, dentro da indústria, muitos já sabiam de seu potencial e ela já era considerada uma diretora descolada desde a sua estreia por trás das câmeras com Fora de Série (Booksmart). Na sua segunda produção, Não se Preocupe Querida (Don’t Worry Darling), seu olhar como diretora certamente se consolidou, mas infelizmente a atenção do público e da mídia se perdeu entre as fofocas e escândalos que circularam no lançamento do filme. Eis que chegou, O Convite.
Adaptado da peça e filme espanhol de Cesc Gay, o roteiro de Rashida Jones e Will McCormack trouxe uma história irresistível que se passa toda em um só apartamento em São Francisco. “A primeira coisa que fiz foi assistir ao filme original antes de ler o roteiro, porque eu queria entender a origem dessa adaptação. Fiquei sabendo que ele já tinha sido adaptado em vários outros idiomas, e foi isso que me chamou atenção logo de cara. Que história é essa que é tão relevante em culturas tão diferentes?”, conta a diretora durante o nosso zoom. A história acompanha Angela e Joe, um casal interpretado por Olivia e Seth Rogen, que recebem um casal de vizinhos, interpretados por Penélope Cruz e Edward Norton, para um jantar que testa todos os limites de sua zona de conforto. É um retrato íntimo de dois casais, onde cada personagem tem sua peculiaridade, o que torna tudo hilário.
Alguns dos momentos mais marcantes do roteiro, surgiram no próprio set, “aquela conversa sobre o papel de parede que a personagem tem, isso eu roubei de uma coisa que ouvi”, relembra Olivia, “aquela cena toda sobre as cores da tinta veio de uma conversa real com a minha diretora de arte, que ficava me perguntando qual das três cores eu queria para as paredes, para mim todas pareciam iguais. Ela perguntou se eu era daltônica. Isso tinha que entrar no filme”. O detalhe ainda ganhou eco no figurino, criado por Arianne Phillips, que fez a camisa de Angela combinar com a cor das paredes, precisando tingir o tecido de novo a cada mudança de tom. “Essas ideias vão surgindo organicamente, isso exige uma certa flexibilidade da parte dos roteiristas, e uma abertura para realmente ir com as surpresas”, explica “não consigo imaginar dirigir um filme sem permanecer aberta ao que a preparação te oferece, porque acho que você descobre coisas realmente preciosas quando entra nesse tipo de lugar receptivo”.
A diretora conta que vive um momento parecido agora, prestes a começar um novo filme, e durante a preparação “chego nesse ponto em que tudo que eu vejo parece um sinal. Tudo parece dizer, ah, talvez eu use aquilo ali, vou pegar dali”. Foi assim que ela chegava para Rashida e Will com pedidos de última hora, movida por conversas de bastidor que aconteciam entre uma tomada e outra, “eles diziam, tá bom, vamos escrever isso, vamos tentar. Isso acontecia o tempo todo, várias vezes por dia, e eles foram incrivelmente receptivos ao fato de que o filme estava se tornando uma adaptação baseada, na verdade, nessa produção específica”.
Outra escolha arriscada que definiu a dinâmica nas gravações de O Convite, foi a escolha de filmar em película de 35 milímetros. Ela chegou a pagar do próprio bolso pelo material, sendo reembolsada depois que o filme foi vendido para a A24, “isso deixou todo mundo ainda mais focado e preparado. É o que acontece quando você trabalha com filme, todo mundo sabe que é um material finito, e sabiam que a gente lutou para conseguir isso”, reflete, “muda completamente a experiência de atuar”. O fato da ação acontecer quase toda em um pequeno espaço, exigia que a produção fosse pequena, apenas os atores e uma equipe bem reduzida, por isso “quando o filme rodava, todo mundo sentia um feitiço que deixava os atores saírem da realidade e entrarem numa espécie de mente coletiva que traz à tona o melhor do trabalho de cada um”.
No meio de tantos projetos como diretora e atriz, quando precisa, Olivia se dá o luxo de ficar sozinha. “Meu prazer inconfessável é sair para comer sozinha, sem trabalhar, só ir. Fiz isso outro dia, fui a um museu sozinha por duas horas e depois fui almoçar sozinha, lendo meu livro”, ri, mesmo sabendo que tinha uma pilha de coisas para resolver, “decidi que ia ser completamente indulgente daquele jeito. Acho que, culturalmente, para as mulheres, comer sozinha, viajar sozinha, ainda carrega um peso. Existe essa coisa da qual não deveríamos nos sentir culpadas, mas frequentemente sentimos, como mães, como mulheres, como chefes, que é simplesmente pegar o seu tempo livre e gastar ele com você mesma”.

