História da moda: Versace

por Beta Weber

Opulência, sex appeal, glamour, mitologia e espetáculo. Os códigos da casa que ajudaram a transformar o lugar da moda na cultura pop informaram também a história por trás do nome. Do sucesso digno de mito ao desfecho trágico do criador, a trajetória da Versace tem contornos de tragédia grega, com ascensão meteórica, queda brutal e a construção de um legado poderoso. Agora sob o comando do grupo Prada e com o anúncio de Pieter Mulier na direção criativa, a marca entra em uma nova fase, prestes a se reinventar mais uma vez. A seguir, a gente conta tudo que você precisa saber sobre a Versace.

Homem sorri com camiseta preta de manga curta, em ambiente interno com luz natural e clima descontraído, estilo Versace.
Foto: Gianni Versace (Reprodução/Marc Serota/Getty)


a origem

Gianni Maria Versace nasceu em 1946, na região de Calábria, Itália, onde cresceu entre tecidos, revistas de moda e mulheres no ateliê da mãe, que tinha uma boutique de costura. Assim que se formou no ensino médio, o jovem passou a ajudar no negócio materno e, em 1972, veio a mudança para Milão, centro da moda italiana. Lá trabalhou para etiquetas renomadas da época como Genny e Callaghan até 1978, quando finalmente decidiu se aventurar com sua própria grife. Inicialmente sob o nome de Gianni Versace, a marca foi fundada ao lado do irmão Santo, que ficou responsável pelo lado administrativo do business.

Casal posa elegante com peças Versace em preto e dourado, destacando botões e alças em corrente, clima sofisticado e
Foto: @donatella_versace (Reprodução/Instagram)

Inseparáveis desde a infância, em pouco tempo a irmã mais nova Donatella também se juntaria ao negócio. Inicialmente de maneira informal, ajudando na imagem e comunicação da Versace até, eventualmente, se dedicar integralmente ao projeto.

Não demorou para as coisas começarem a fluir no mercado interno e o debut nas passarelas, assim como a abertura da primeira boutique, na famosa Via della Spiga, ocorreram em Milão, já no ano de fundação. 

os códigos

O luxo já era fator fundamental da moda italiana, mas executado de uma maneira diferente: baseado na nobreza e no rigor, com um glamour à moda antiga, às vezes aristocrático à la Valentino ou no clima resort jet set da Pucci. Gianni ofereceu um contraponto ao estilo da época, injetando teatralidade e erotismo para uma Itália que vinha da tradição, e com isso, transformando o significado do Made in Italy.

Seguindo sua filosofia de “não acreditar em bom gosto”, Gianni não tinha receio de explorar universos distintos. No caldeirão de referências valia tudo, mitologia grega e romana, religião, pop art, barroco, sadomasoquismo, nada era precioso ou subversivo demais para ser contemplado. Não era rejeição ao savoir-faire ou falta de respeito ao passado, mas uma capacidade única de abraçar elementos dissonantes em sintonia com seu espírito hedonista.

Ele modernizou a moda, trazendo um glamour que dialogava com os tempos atuais, mas não era vazio de significado. Na busca por inovação, aplicou técnicas da alfaiataria masculina em suas criações para mulheres, brincando com proporções de ombros volumosos e estruturados ao lado de silhuetas mais femininas

Manipular tecidos diretamente no corpo era um de seus métodos preferidos, possivelmente uma alusão às vestimentas das estátuas de deusas que povoaram sua infância nas ruínas históricas de sua cidade natal. 

Apesar da narrativa pública sexy e disruptiva, os valores familiares sempre estiveram no centro do negócio, conforme representados na engrenagem interna da empresa, com Gianni na criação, Santo na gestão e Donatella na imagem e comunicação. 

as marcas registradas

a medusa

Maior símbolo da marca, a escolha da figura mitológica veio de uma memória pessoal. Nascido no sul da Itália, em uma região historicamente marcada pela presença grega desde a antiguidade, Gianni encontrou a imagem de Medusa pela primeira vez brincando com os irmãos entre os vestígios dos sítios arqueológicos de sua cidade, e o emblema nunca saiu de seu imaginário.

Segundo o mito, Medusa, com seus cabelos de serpentes, tinha o poder de transformar em pedra quem a encarasse, despertando ideias de fascínio, beleza, ameaça, a criatura exerce um magnetismo irresistível, impossível de desviar o olhar. A figura é onipresente nos produtos da marca e seu logo mais reconhecível, surgindo nas roupas, acessórios, objetos de decoração e em toda comunicação visual.

oroton

Em 1982, Gianni idealizou um material totalmente novo, uma malha metálica com capacidade de drapear como tecido. O designer mais uma vez demonstrou sua capacidade de misturar universos diferentes, trazendo armaduras da era medieval e o caimento de vestidos da Grécia antiga como inspiração para um visual moderno que também dialogava com a moda disco que imperava no momento. Com sua aparência líquida e brilho intenso, o Oroton se tornou um dos maiores ícones da Versace, ganhando fôlego novamente no período Y2K e mantendo sua relevância até hoje.

Modelo posa com look Versace em body e jaqueta de seda estampada em dourado, preto e branco, acessórios dourados e bolsa
Foto: Gianni Versace (Reprodução/Versace)

o barroco 

O amor pela história da arte também se manifestou em uma das estampas mais associadas à marca: as linhas rebuscadas e os desenhos ornamentais do período barroco. Inspirado na elaborada iconografia religiosa e nas paletas saturadas da era, Gianni transportou o clima opulente presente nas telas para suas criações, através da estamparia, do uso de seda, superfícies reluzentes, cores hiperpigmentadas e muita dramaticidade.

E a influência não se limitou às roupas. Na mansão de Miami, arquitetura e decoração seguiam a mesma lógica extravagante, com detalhes elaborados permeando a casa da escadaria ao piso.

Modelo posa com vestido preto Versace de decote assimétrico e detalhes dourados, em clima sofisticado e elegante.
Foto: Versace (Reprodução/Steven Meisel)

preto e dourado

A combinação de cores mais inescapável da história da casa, o preto traz o lado dark e transgressivo, enquanto o dourado reforça a ideia de poder e exuberância. Juntos, criam um contraste que comunica bem o lado rock’n’roll e o lado glamoroso, ambos intrínsecos ao universo Versace e reconhecíveis à primeira vista.

Modelo posa com vestido Versace justo e longo em estampa pop art multicolorida, combinando acessórios de pedrarias vibrantes
Foto: Linda Evangelista (Reprodução/Steven Meisel)

pop art

Colecionador de arte e fã da pop art, com sua paleta caleidoscópica e lógica iconoclasta, Gianni teve a ideia de colaborar com a Fundação Andy Warhol para a coleção de verão 1991. Transformando roupas em telas, aplicou obras emblemáticas de Warhol, como as pinturas de Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor, nas peças. Em 2018, Donatella revisitou o momento que também seria referenciado na polêmica coleção de verão 2026 de Dario Vitale para a marca. 

elementos fetichistas

Foi na temporada de Inverno 92, com o desfile intitulado Miss S & M, que o universo fetichista transcendeu o tabu e entrou de vez no vocabulário da Versace. Uma seleção de peças características contendo tiras, recortes estratégicos, ferragens metálicas, coleiras e harnesses tomou a passarela, reimaginadas sob uma leitura de moda. Em 1994, o desfile inspirado no punk continuou a tradição subversiva e apostou em materiais pesados, como couro e correntes, para destacar ainda mais o mood provocativo, consagrando a sensualidade assertiva como um dos carros-chefe da casa.

fundo do mar

O oceano e suas preciosidades como estrelas-do-mar, conchas e outros elementos marinhos se tornaram fonte de inspiração constante, surgindo em roupas e acessórios, muitas vezes aplicados em bordados ou em forma de estampas, invocando tanto a infância no Mediterrâneo quanto a magia de sereias e outras figuras míticas.

animal print

A sensualidade sem hesitação e o espírito maximalista fizeram com que o animal print fosse estampa recorrente, normalmente aliado a outras como o barroco e motivos de flora e fauna. 

glamour de alta voltagem

Brilhos, pedrarias, cristais, fendas e decotes profundos se tornaram praticamente obrigatórios. A mulher Versace é desde sempre poderosa e apaixonada pelo lado glamoroso da vida, com o espírito festivo em seu DNA. 

Modelos posam unidas na passarela com vestidos curtos Versace em vermelho, preto e amarelo vibrante, destacando cortes
Foto: Cindy Crawford, Linda Evangelista, Naomi Campbell e Christy Turlington (Reprodução/Vogue)

versace e as supermodels

Em março de 1991, Gianni reuniu Cindy Crawford, Linda Evangelista, Naomi Campbell e Christy Turlington na mesma passarela ao som de Freedom! ’90, de George Michael. As quatro já haviam estrelado o videoclipe da música no ano anterior, e a aparição conjunta no desfile consolidou seu status como estrelas mundiais e instaurou uma nova era, com desfiles se tornando acontecimentos pop, e não apenas eventos destinados à imprensa especializada e a profissionais da área.

A relação próxima com modelos é fator importante na trajetória da Versace, com vários exemplos se tornando musas da casa, como Stephanie Seymour, Yasmeen Ghauri, Helena Christensen, Claudia Schiffer, Kate Moss, Shalom Harlow e Carla Bruni.

Em 2018, Donatella repetiu o feito em forma de homenagem, reunindo parte dessas mulheres na passarela, a bordo de vestidos dourados em Oroton, celebrando o papel fundamental das super modelos na identidade da marca.

Duas modelos posam abraçadas com vestidos longos e brilhantes em tons dourados e detalhes peludos brancos, expressando
Foto: Versace Atelier (Reprodução/Versace)

a expansão

Em 1989, a Versace lançou oficialmente o Atelier Versace, seu braço de alta-costura, entrando no calendário de Paris e reforçando sua posição no segmento mais exclusivo da moda. 

Modelos posam com peças Versace em mix de estampas e cores vibrantes, combinando texturas leves e cortes ajustados que
Foto: Versus (Reprodução/Bruce Weber)

No mesmo ano, foi criada a linha Versus, um presente de Gianni para Donatella, pensada como braço mais jovem e experimental da marca.

Sala luxuosa Versace com sofá branco de couro, almofadas e poltronas pretas com dourado, mesa oval e detalhes em ouro, em
Foto: Linha Home Versace (Reprodução/Versace)

Em 1991, a Versace abriu sua primeira boutique fora da Itália, em Glasgow, Escócia. Nesse período, a marca já operava cerca de 1.500 pontos de venda globalmente, consolidando sua presença internacional. Ao mesmo tempo, expandiu para outros segmentos lucrativos: primeiro com a linha de fragrâncias e, em 1992, para interiores com a linha Home, tornando-se uma das primeiras casas de moda a apostar em decoração e lifestyle, antecipando um movimento que se tornaria comum décadas depois.

a tragédia

O último desfile de Gianni foi o do Atelier Versace outono/inverno 1997, em Paris. Inspirada na arte bizantina, a apresentação trouxe uma seleção de looks  predominantemente em preto, dourados intensos, bordados elaborados, cruzes e uma atmosfera mais solene, quase austera em comparação aos excessos de outras temporadas. Posteriormente, a coleção ganharia peso profético, pelo tom soturno e pela carga simbólica.

Naquele momento, a moda vivia uma troca de guarda, com nomes como John Galliano e Alexander McQueen surgindo na cena e injetando apelo dramático e energia jovem nas grandes maisons. O desfile final de Gianni também pode ser visto como parte desse contexto, reafirmando sua teatralidade em um cenário cada vez mais competitivo.

Nove dias depois, em julho de 1997, Gianni foi assassinado em frente à sua residência em Miami por Andrew Cunanan. O impacto foi imediato. A indústria perdeu uma de suas figuras mais influentes, a família foi colocada no centro de uma crise pública e a marca enfrentou uma pergunta inevitável: será que a Versace conseguiria sobreviver sem seu fundador?

a era Donatella

Enfrentando a trágica perda do irmão, a família optou por uma transição imediata e pública: Santo se tornou CEO, e Donatella assumiu a direção criativa.

Modelo posa com expressão intensa, usando blusa de tule preta e anel Versace grande com detalhes brilhantes, em foto
Foto: @donatella_versace (Reprodução/Instagram)

Formada em línguas, Donatella Versace cogitou se tornar professora antes de sua trajetória tomar um rumo completamente inesperado quando aceitou o convite de Gianni para trabalhar na marca. Muito antes de ascender oficialmente ao comando, ela já exercia influência direta na imagem da casa, atuando como musa, conselheira criativa e responsável por parte da comunicação e do posicionamento cultural.

Modelo posa sentada com blusa listrada colorida, lenço na cabeça e casaco preto de pele, em ambiente sofisticado, estilo
Foto: Versace (Reprodução/Versace)

Sob sua tutela, a grife evoluiu para uma abordagem ainda mais moderna e direta, complementando a visão exuberante de Gianni com uma proposta alinhada aos novos tempos e acompanhando a geração mais jovem. Mestre em cultivar relações com celebridades, ela sempre identificou o poder dessas associações para posicionar a Versace como sinônimo de glamour e cultura pop, enfatizando o espírito de espetáculo que define a marca. 

Os meados da primeira década do milênio foram de instabilidade criativa e financeira. A empresa enfrentou reestruturações internas e desafios comerciais, num momento pós-Y2K, em que o clima boho dominava o mercado e o maximalismo sexy característico parecia deslocado.

Modelo posa com vestido metálico prateado Versace de modelagem reta e cinto largo, em clima ousado e sofisticado.
Foto: Versace x H&M (Reprodução/Versace)

A partir da década de 2010, a Versace viveu um reposicionamento, com estratégias que visavam ampliar seu alcance, atacando por várias frentes: foi uma das pioneiras da alta moda a investir em e-commerce ainda nos anos 2000, antecipando a digitalização do setor; entrou no segmento de hotelaria de luxo com o Palazzo Versace na Austrália; apostou em parcerias hi-lo, desenvolvendo uma linha limitada com a Lamborghini; e no fenômeno fast fashion com a H&M, lançando uma coleção com a gigante sueca que bateu recordes de venda. 

Modelo posa com look Versace em estampa barroca azul e dourada, combinando top cropped, calça, camisa e acessórios luxuosos.
Foto: Fendace (Reprodução/Versace)

No passado mais recente, uniu-se à rival Fendi para uma colaboração inédita intitulada Fendace. 

Donatella também foi responsável por tornar os posicionamentos da Versace mais explícitos ao longo de sua liderança. Em 2021, lançou o projeto Medusa Power Talks, série liderada por mulheres discutindo o poder sob perspectivas femininas, além de apostar em iniciativas de inclusão em apoio a minorias e comunidades marginalizadas.

Sua figura se tornou icônica, com o visual instantaneamente reconhecível de cabelos platinados e plataformas sempre vertiginosas, personificando muitos dos códigos da Versace e se tornando ela própria uma celebridade. Nunca abandonando os princípios instaurados por Gianni, Donatella não viveu apenas de tributos, conseguindo imprimir sua sensibilidade às criações, que se tornaram ainda mais poderosas, trazendo um toque de fluidez e feminilidade aos designs, sem abrir mão da iconografia.

o revival vintage

Nos últimos tempos, as peças de arquivo têm voltado ao zeitgeist, principalmente as dos anos 90 e 2000, graças à nostalgia da geração Z pela era Y2K, comprovando a força do legado.

versace e as celebridades

Creditada como uma das primeiras marcas a perceber o potencial das celebridades para crescer o negócio, a Versace protagonizou diversos momentos inesquecíveis no tapete vermelho, incluindo alguns dos mais icônicos de todos os tempos.

Modelo posa com vestido preto Versace justo de decote profundo, detalhes em dourado e fenda, em ambiente noturno sofisticado.
Foto: Elizabeth Hurley (Reprodução/Dave Benett/Getty Images)

o safety pin dress

Votado mais de uma vez como o look de red carpet mais impactante da história, em 1994, Elizabeth Hurley usou um vestido preto preso por alfinetes dourados para acompanhar o namorado Hugh Grant na estreia do filme Quatro Casamentos e um Funeral. Até então pouco conhecida internacionalmente, Liz virou manchete instantânea, com o modelo escandaloso estampando capas de jornais no mundo inteiro. Parte da coleção punk da Versace, o momento também direcionou os holofotes para a marca e sua estética ousada.

o Jungle Dress

Em 2000, Jennifer Lopez usou o vestido verde com estampa tropical na premiação do Grammy. O alvoroço foi tão grande que forçou o Google a desenvolver o Google Images, lançado em 2001 para atender à demanda gerada pelo look. Em 2019, J.Lo usou uma nova versão do vestido, dessa vez na passarela, a convite de Donatella.

Modelo posa sorridente com vestido longo Versace roxo de modelagem reta, tecido fluido, clutch e sapatos combinando, em
Foto: Princesa Diana (Reprodução/Tim Graham/Getty Images)

A realeza não ficava de fora, com a Princesa Diana, amiga próxima de Gianni, elegendo vestidos Versace em cores vibrantes e silhuetas minimalistas para modernizar sua imagem pública nos anos 90.

Modelo posa com vestido longo preto de veludo Versace, tomara que caia e fenda alta, em clima sofisticado e elegante no
Foto: Angelina Jolie (Reprodução/@donatella_versace)

No Oscar de 2012, Angelina Jolie usou aquele vestido preto de veludo com fenda dramática que virou meme e é comentado até hoje.

Ao longo dos anos, a Versace também acumulou looks memoráveis no Met Gala, vestindo nomes como Blake Lively, Zendaya, Anne Hathaway, Gigi Hadid e muitos outros.

Modelo posa com vestido preto de couro vazado e bolsa estruturada Versace, expressando atitude forte e ousadia sofisticada
Foto: Madonna para Versace (Reprodução/Versace)

versace e a música

Com looks que parecem feitos sob medida para subir aos palcos, a relação da marca com a música é parte fundamental da sua história. Várias figuras pop protagonizaram campanhas da grife, como Madonna, Lady Gaga e Christina Aguilera.

Beyoncé elegeu um vestido Versace para o vídeo de Crazy in Love, sua grande estreia na carreira solo.

Modelo posa com vestido Versace justo e assimétrico, bordado em paetês multicoloridos que realçam textura e brilho vibrante.
Foto: Britney Spears (Reprodução/Fairchild Archive/Getty Images)

O número de divas da música que se renderam aos designs para figurinos de shows e aparições públicas é incontável, entre elas Britney Spears, Taylor Swift, Shakira, Mariah Carey, Adele, Whitney Houston, Cardi B, Olivia Rodrigo e Doja Cat.

Grupo posa à beira da piscina com peças Versace em preto com estampas coloridas e acessórios dourados, clima sofisticado e
Foto: Dua Lipa para Versace (Reprodução/@donatella_versace)

Dua Lipa, além de desfilar para a marca, colaborou diretamente com Donatella na coleção “La Vacanza”.

a evolução do business e a saída de Donatella

A partir de 2014, a Versace passou por diferentes estruturas de controle. Inicialmente, parte da empresa foi vendida ao fundo Blackstone, na primeira grande diluição do controle familiar. Em 2018, foi adquirida pelo grupo Michael Kors, agora chamado de Capri Holdings.

Em 2025, após um período de reestruturação interna, Donatella deixou o comando criativo para assumir o papel de embaixadora da grife, encerrando um ciclo de quase três décadas na direção. Sua saída marcou o fim definitivo de uma era.

Versace Spring Summer 2026
Foto: Versace Spring Summer 2026 (Reprodução/Steven Meisel)

a breve passagem de Dario Vitale

Dario Vitale foi contratado com a tarefa quase impossível de suceder Donatella Versace. Desconhecido do grande público, ele vinha da Miu Miu, onde trabalhou por 14 anos antes de aceitar o desafio proposto pela Capri Holdings. Seu apontamento foi cercado por rumores de que a família Versace não aprovava a escolha, resultando em uma passagem breve, mas impactante.

Apresentando apenas uma coleção, de verão 2026, o desfile foi recebido com reações extremamente polarizadas. Apostando na estética de Gianni do início dos anos 80, referenciando partes não tão badaladas do arquivo, ele inseriu os códigos da marca de forma menos óbvia, e a atitude causou polêmica. Uma parcela de críticos considerou que sua visão trouxe frescor e modernidade ao DNA da casa; outros acharam que as roupas não carregavam suficientemente a assinatura da grife.

a aquisição pela Prada e a chegada de Pieter Mulier

No final do ano passado, após meses de especulações, a Prada confirmou a aquisição da Versace por cerca de €1,25 bilhões. O movimento foi interpretado como um passo importante para fortalecer ainda mais o grupo italiano, que vem apresentando crescimento significativo no mercado de luxo global, visando diversificar seu portfólio, que já conta com Prada, Miu Miu e Church’s.

A demissão de Dario Vitale foi a primeira ação após o anúncio da compra. Vitale, que trabalhou ao lado de Miuccia por mais de uma década, não se encaixava na ideia do grupo para a Versace, que já tinha Pieter Mulier em mente para o cargo de diretor criativo. 

Homem posa pensativo com suéter preto de malha lisa, expressando sobriedade e elegância minimalista no estilo Versace.
Foto: Pieter Mulier (Reprodução/Karim Sadli)

Há cinco anos à frente da Alaïa, o belga Mulier foi responsável por revitalizar a maison, impulsionando o crescimento do negócio ao reinterpretar as silhuetas bodycon de Azzedine Alaïa e lançar uma sucessão de bolsas e sapatos hit. O início de suas atividades na Versace está marcado para julho de 2026, e a expectativa é de que a primeira coleção seja apresentada durante a semana de moda de Milão, em setembro de 2026.