O universo visual de The Testaments (Os Testamentos: Das filhas de Gilead) pode até continuar preso às regras rígidas de Gilead, mas a nova série derivada de The Handmaid’s Tale promete apresentar esse sistema por uma lente completamente diferente, e muito mais jovem. Baseada no livro homônimo de Margaret Atwood, a produção se passa anos após os acontecimentos da série original e acompanha uma nova geração de garotas crescendo dentro do regime totalitário de Gilead, agora já completamente moldadas pelas regras e ideologias do sistema.
Em entrevista ao Steal The Look, a figurinista Leslie Kavanagh contou que a proposta da nova produção era justamente mostrar como é crescer dentro de Gilead, algo que a série original raramente explorou. “Estamos vendo esse mundo através de uma lente mais inocente e esperançosa do que vimos antes”, explicou.

Segundo Leslie, a mudança aparece diretamente no figurino. Além de novas cores, The Testaments aposta em silhuetas mais suaves, femininas e delicadas, inspiradas na moda das décadas de 1930 e 1940. A escolha não foi acidental: “As Plums são o futuro de Gilead, as joias da coroa, então eu queria que elas fossem bonitas”, revelou.
Mas é justamente aí que mora uma das partes mais interessantes (e perturbadoras) da nova estética. Porque, apesar da aparência mais romântica, os códigos de controle continuam existindo em absolutamente todos os detalhes.
Leslie revelou que os uniformes das estudantes possuem diferentes variações para indicar a fase em que cada garota está dentro do sistema. Um broche específico, por exemplo, sinaliza quais meninas já menstruaram e estão “mais próximas” do casamento. Tons de rosa também ajudam a indicar diferenças de idade e crescimento dentro da escola.

“É a ilusão da escolha… quando, na verdade, esses looks já foram escolhidos por elas”
A fala resume bem o que parece ser uma das grandes viradas visuais de The Testaments: trocar parte da rigidez austera de The Handmaid’s Tale por uma feminilidade cuidadosamente construída — e igualmente controladora.
Mesmo com a nova direção estética, Leslie explica que manteve regras fundamentais do universo de Gilead, como a ausência de botões aparentes, zíperes visíveis ou excessos decorativos. Em vez disso, o trabalho de diferenciação aconteceu principalmente através de tecidos, cortes e construção das peças.

Entre os figurinos mais desafiadores da temporada, ela destaca o visual das Pearls, grupo descrito no livro como cinza e quase opalescente. Depois de testar tecidos mais brilhantes e perceber que o resultado não funcionava em cena, Leslie decidiu reformular completamente a ideia e apostar em tons de branco, creme e baunilha. “Queria criar uma espécie de tela em branco para essas mulheres, quase como um renascimento dentro de Gilead”, contou.
E claro: como boas curiosas que somos, precisávamos perguntar se existiu algum figurino que ela quis levar para casa. A resposta? O look de apicultura. “Era assustador, mas lindo”, brincou. “Não exatamente algo prático para usar no dia a dia… mas eu amei.”
Com uma estética mais delicada e quase romantizada, The Testaments parece interessada em mostrar que o horror de Gilead talvez fique ainda mais perturbador quando vem embalado por beleza, juventude e uma falsa sensação de escolha. A série já está disponível no Disney+ e vale a pena conferir os oito episódios.
