Moda sustentável: saiba sobre a nova geração de tecidos biotech

por Milena Otta

A moda sustentável é um assunto crescente na sociedade, principalmente por conta da cadeia de consumo desenfreado, que está cada vez maior e se tornando ainda mais prejudicial ao meio ambiente, podendo, em breve, se converter em danos irreversíveis. Para tentar mudar o quadro, muitas marcas estão começando a investir em novos métodos e buscando conscientizar seus clientes para este cenário.

Diversos processos na cadeia produtiva de moda são maléficos para o meio ambiente, como a produção de algodão, que mesmo sendo uma fibra natural, ocupa a 4ª posição no ranking de plantações que levam mais agrotóxicos. Além do crescente uso do poliéster e do nylon, que não são materiais biodegradáveis e geram toneladas de resíduos têxteis, os quais acabam em aterros sanitários. Para não esgotarmos as fontes de matérias-primas, precisamos pensar em soluções e passar a consumir uma moda sustentável, que pode incluir tecidos biotech, por exemplo.

Abaixo, selecionamos alguns dos biomateriais à base de plantas que você precisa conhecer.

Sara Arfaoui - biotech - PANGAIA - jeans de urtiga - moda sustentável - https://stealthelook.com.br
Foto: Sara Arfaoui (Reprodução/PANGAIA)

jeans biodegradável de urtiga

Uma peça jeans é, com certeza, uma das que mais utilizam água para sua fabricação, e isso acontece porque os processos de produção, principalmente de tingimento do algodão, necessitam de muita água. Além disso, são usados corantes artificiais altamente poluentes que acabam contaminando os locais onde são descartados.

A Pangaia é uma marca com várias técnicas biotech, e a ideia que eles tiveram é muito interessante: produzir um jeans de urtiga, que é criado através da mistura entre urtiga selvagem do Himalaia e algodão orgânico. Essa planta é um recurso naturalmente regenerativo.

Outra opção que coloca a moda sustentável em prática, foi o denim criado pela marca Stella McCartney em colaboração com a marca italiana Candiani. Feito com fibras de algodão orgânico que envolvem uma camada de borracha natural, o material não leva qualquer plástico ou microplástico em sua trama, o que é essencial para não poluir a natureza no processo de decomposição.

Barbie Ferreira - biotech - Collina Strada - seda de rosas - moda sustentável - https://stealthelook.com.br
Foto: Barbie Ferreira (Reprodução/Collina Strada)

seda de rosas

A seda não é um tecido vegano, por isso, a criação de um material similar feito a partir de uma base vegetal, como as rosas, é tão importante. A responsável por essa inovação foi a marca Collina Strada, onde, a partir de caules de rosas, petalas e outros resíduos naturais de roseiras, o material foi transformado em uma fibra de celulose biodegradável. É uma ótima alternativa à base de plantas à seda, oferecendo suavidade e brilho semelhantes.

Comprometida com uma moda sustentável, Collina Strada também utiliza matéria-prima reciclada do mercado de Kantamanto, em Gana, local onde toneladas de roupas são descartadas - enviadas de países como os EUA. A etiqueta compra esses resíduos e doa para a OR Foundation, organização que planeja construir uma fábrica para converter o lixo têxtil de Gana em casacos e casas de isolamento.

 
Nike - biotech - Piñatex by Ananas Anam - couro de abacaxi - moda sustentável - https://stealthelook.com.br
Foto: Nike (Reprodução/Piñatex® by Ananas Anam)

couro de abacaxi

A marca Ananas Anam, reinventou diversos produtos assinados pela Nike usando o Piñatex®, uma alternativa ao couro feita dos resíduos agrícolas do abacaxi, incluindo fibras vegetais das folhas e caules. Esse material foi criado pela Dra. Carmen Hijosa, que desenvolveu a ideia enquanto trabalhava como consultora de artigos de couro na década de 1990, e testemunhou o impacto ambiental catastrófico da produção em massa dessa matéria.

A produção biotech do Piñatex® evitou que cerca de 825 toneladas de folhas fossem queimadas, impedindo que 264 toneladas de CO² fossem liberados na atmosfera. Desde que começou a ser comercializado em 2016, o Piñatex® tem sido usado por centenas de marcas, incluindo Hugo Boss, H&M e Nike.

Bella Hadid  - biotech - Salvatore Ferragamo - casca de laranja - moda sustentável - https://stealthelook.com.br
Foto: Bella Hadid para Salvatore Ferragamo (Reprodução/Orange Fiber)

casca de laranja

As frutas vão salvar o mundo e vamos te provar, agora com a laranja. O Orange Fiber é um tecido que utiliza subprodutos e, nesse caso, o suco cítrico. O material sustentável é semelhante a seda, e é produzido a partir da extração de celulose cítrica das cascas, que depois é transformada em fios. O material foi criado por duas estudantes sicilianas, Adriana Santanocito e Enrica Arenaby, em resposta as mais de 700.000 toneladas de cascas de laranja que vão para o lixo todos os anos na Itália.

Em 2015, o Orange Fiber ganhou o H&M Global Change Award, e desde então tem sido usado pela empresa em sua coleção anual 'Conscious Exclusive'. Outra marca que aderiu ao material foi Salvatore Ferragamo, que, em 2017, lançou uma coleção cápsula utilizando a fibra.

 
Marni - biotech - desfile - couro de maçãs e uvas - moda sustentável - https://stealthelook.com.br
Foto: Marni (Reprodução/Instagram)

couro de maçãs e uvas

Além do couro de abacaxi, o de uvas é uma outra opção. A empresa italiana Vegea usa as sementes, cascas e talos de uvas que seriam descartados durante o processo de vinificação, dando ao material o apelido de couro de vinho. 

Para a fabricação, é usado um bio-óleo extraído das sementes que é polimerizado usando um processo patenteado. No final de seu ciclo de vida, o tecido pode ser reciclado para produzir mais couro de vinho. Marcas como H&M e & Other Stories, usaram o Vegea para botas e clutches, e o tecido também foi visto no desfile de Outono/Inverno 2020 da Marni.

Na mesma linha de materiais biotech feitos a partir de frutas, o couro de maçã utiliza os núcleos e as peles do alimento descartados da indústria alimentícia, e os transforma em uma folha de couro flexível, que depois é combinada com poliuretano para criar o couro vegano.

polpa de eucalipto

Outro biomaterial criado pela Pangaia é o C-Fibre®, feito a partir da polpa de eucalipto e pó de algas marinhas. É um tecido macio e sedoso, além de ser completamente biodegradável em água, aterros e ambientes de compostagem - certificado pelo instituto de pesquisa alemão TITK. Para fabricar o C-Fibre® utiliza-se muito menos água do que o algodão, tendo em vista que as algas marinhas são cultivadas no fundo do mar, e o eucalipto cresce rapidamente em terras extremamente secas e sem irrigação.

PANGAIA - biotech - penugem de flores silvestres - desfile - moda sustentável - https://stealthelook.com.br
Foto: PANGAIA (Reprodução/Instagram)

penugem de flores silvestres

Se você está procurando uma alternativa biodegradável, à base de plantas, para penugem de ganso, o Flwrdwn™ da Pangaia é fabricado com flores silvestres naturais e biopolímeros.

Nós sabemos que todos esses tecidos biotech, que estão entrando no mercado para fazer fortalecer a moda sustentável, são completamente revolucionários, e queremos saber: quais você achou mais interessantes e inovadores?

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