O bicho tá solto: acessórios e detalhes em forma de animais 

por Beta Weber

Porcos-espinhos transformados em bolsas, pintinhos usados como brincos e gatos esculpidos em sapatos. Não é de hoje que o reino animal influencia a moda, mas nesta temporada ele migra das estampas para surgir de forma mais literal nos acessórios. E diga-se de passagem, nem sempre através das escolhas mais óbvias. A proposta é quase como um gabinete de curiosidades atualizado, onde criaturas exóticas, insetos e outros espécimes naturais roubam a cena como pequenos tesouros. 

Mas por que agora? O domínio do minimalismo nos últimos anos é um dos fatores, com a obsessão pela estética clean e minimal despertando a vontade de irreverência. Do ponto de vista filosófico, o mundo tomado por questões urgentes e estímulos negativos resulta em um inevitável anseio por escapismo. A cultura claramente se encontra em um momento de fascínio pelo lúdico, desencadeando uma nostalgia por universos encantados, brinquedos, objetos colecionáveis e designs com personalidade: só observar fenômenos como o sucesso dos Labubus e bag charms

E os acessórios são o melhor laboratório para concentrar essa leveza e bom humor. As roupas podem seguir usáveis e comerciais, enquanto os complementos se tornam o espaço mais livre de experimentação. Além disso, o simbolismo também é importante já que animais carregam inúmeros significados, cada objeto pode funcionar como talismã, representando desejos como proteção, sorte ou transformação, ajudando a contar histórias e expressar identidade. 

As interpretações variam, assim como os ecossistemas explorados: jardim, oceano, fazenda, floresta ou até mundos imaginários. Todos têm vez. A seguir, a gente mostra como diferentes marcas vêm traduzindo a tendência. 

Matthieu Blazy é um dos maiores fãs. Desde seu debut na Chanel, toda coleção contou com diversos exemplos: pintinhos em brincos, libélulas decorando a alça de vestidos, girafas em bolsas, poodles bordados em canutilhos, broches de dálmata, chapéus de gato. E faz sentido, o toque lúdico colabora para modernizar a imagem da maison, emprestando frescor à essência clássica da Chanel. 

Na Cruise 26, a inspiração veio direto do oceano com ouriços, peixes, estrelas do mar figurando em acabamentos, botões, joias.

@maisonmichel (Reprodução/Instagram)

E nas cabeças: os chapéus estilizados com barbatanas, assinados pela Maison Michel, deram o que falar. 

Jonathan Anderson já era adepto do clima brincalhão e irreverente durante seus anos na Loewe e na marca própria (vide o clog de sapo e a clutch de pombo, para citar alguns exemplos) e repete a fórmula na Dior, porém respeitando os códigos da maison: mais beleza e delicadeza, menos ironia. Caracol, abelhas e joaninhas estão entre os eleitos e a escolha deles não é aleatória. Anderson opta por espécies tipicamente encontradas em jardins, remetendo ao fundador Monsieur Dior, apaixonado por flores e conhecido por cultivar seus próprios jardins.

Elsa Schiaparelli foi a representante do surrealismo na moda e o atual diretor criativo, Daniel Roseberry, honra o legado. Os acessórios em forma de animais são ícones da casa e dessa vez os sapatos roubam a cena. Os calçados esculturais, reproduzindo a cabeça de felinos, víboras e pássaros, são os protagonistas, seguindo a tradição de converter elementos inesperados em objetos de moda.

@coach (Reprodução/Instagram)

A Coach já virou sinônimo de leitura pop urbana, sempre inserindo uma vibe lúdica em suas coleções e em sua comunicação como um todo. No ano passado, a bolsa dinossauro viralizou e agora, a collab com a Brain Dead traz modelos com cara de criaturas que remetem a desenhos animados.

@wearebraindead (Reprodução/Instagram)

Híbridos entre charms e broches aparecem pendurados nas roupas e nos acessórios em figuras caninas e versões estilizadas de elefantes, dinossauros, coelhos e mais.  

Ainda no assunto charms, marcas que se concentram no artesanal e na valorização do feito à mão, investem em opções como cachorrinhos de tricô na JW Anderson, ou insetos construídos de miçangas na Loewe.

(Reprodução/GoRunway)

Broches são hit do momento nas ruas e nas passarelas e as opções em formato de animais são algumas das favoritas. No Inverno 2026 de Tory Burch, o peixe espada foi o homenageado. 

(Reprodução/GoRunway)

A borboleta, um dos animais mais referenciados da história da moda, não fica de fora e é a escolha de Alessandro Michele (outro entusiasta da tendência desde seus tempos de Gucci) na Cruise da Valentino para decorar colares e broches em sintonia com o mood retrô.

(Reprodução/GoRunway)

Na Chloé, a inspiração equestre é parte fundamental da história da marca e nesta estação é ilustrada nos cintos com fivela de cavalo. 

(Reprodução/GoRunway)

Na Saint Laurent, os brincos maxi bem anos 80 em forma de pássaros oferecem uma leitura luxuosa da trend animalesca.