Um dos revivals mais inesperados do ano, o tailleur volta ao centro das atenções reformulado e surpreendentemente cool.
Lembrando que o resgate de uma coisa não significa a exclusão de outra: a alfaiataria é foco absoluto nas passarelas e os terninhos não vão a lugar nenhum, simplesmente o leque se expande e agora, além das opções com calça e bermuda, contempla os conjuntos com saia. Ironicamente, o tailleur, considerado ultrapassado por anos, é quem ressurge como proposta fresh da temporada.
O conjunto mantém a polidez inerente, mas ganha update através de comprimentos, acabamentos, cores inusitadas, shapes e personalidade. Os designers imaginam mulheres com vidas e personalidades distintas: práticas, românticas, maximalistas, minimalistas, as que priorizam funcionalidade e as que curtem sex appeal, todas têm espaço e todas usam tailleur.
A popularização do combo de casaco e saia de alfaiataria é creditada a Coco Chanel e figura entre os ícones da maison, não é por acaso que Matthieu Blazy vem se concentrando em colocá-lo em primeiro plano.

Na coleção Cruise, ele vem levemente desconstruído com o clássico logo dos Cs cruzados em destaque.

Mais versões rolaram no desfile Inverno 26: Em brocado floral, com camisa mais longa que o casaco e usada por fora da saia.

Com cintura caída no melhor estilo la garçonne idealizado pela fundadora Coco.

Na alta-costura, a saia chega alongada e o rigor do corte e o tweed preto são iluminados pelos botões e broche em jade.

Elsa Schiaparelli sempre foi entusiasta do conjunto e fazia questão de incluir algum elemento inesperado no design dos seus. Daniel Roseberry honra a tradição e na coleção mais recente, apostou em saia escultural, além dos botões trabalhados, outra marca registrada da maison.

Christian Dior foi um dos responsáveis por introduzir os modelos estruturados com seu new look no final dos anos 40. Jonathan Anderson vem reinventando a Bar Jacket e outras assinaturas da casa e, aqui, opta por um tailleur com mini saia. Uma visão mais jovem da proposta.
Muito associados à década de 80 e o power dressing da entrada da mulher no mercado de trabalho corporativo, as versões com ombros marcados e elementos do guarda-roupa masculino também dominaram.

Na Jean Paul Gaultier, a silhueta é afiada e a gravata o acessório fundamental.

Oversized, utilitário e em tom de pedra preciosa na Mugler.

Com bolsos estratégicos, mais estéticos do que funcionais, por Haider Ackermann na Tom Ford.

Se você imediatamente pensou em algo sem graça, calma aí, na The Row, o uso de sobreposições e o cinto criando quase um peplum impedem que o resultado fique monótono.

O clima soturno e a silhueta bodycon foram as escolhas de Demna no Inverno 26 da Gucci.

Na Balmain, Antoine Tron imaginou o tailleur em couro trabalhado com toques de dourado e fenda.

Aliás, quando se trata de styling para modernizar o look, na passarela da Joseph, o cinto com fivela marcante foi o elemento escolhido, introduzindo um espírito western sofisticado.

Na McQueen, ecos vitorianos e um clima indie sleaze permeiam a visão.

Sandy Liang ousou na escolha do material, criando o tailleur em moletom, unindo o conforto do loungewear à elegância da alfaiataria.
Ufa, agora que a gente passou pelo que os estilistas e marcas estão sugerindo, vamos ver como a tendência vem sendo usada na prática.
Justamente pela fama de certinho e sua construção refinada, a abertura para brincar com elementos é maior. O segredo é abandonar a lógica de que o tailleur é sinônimo de algo conservador ou sempre business e se aventurar.

Billie Eilish é um ótimo exemplo de como expandir o repertório fashion sem abandonar seu estilo pessoal, trazendo um mood bibliotecária com toques de cor.

Ele é uma alternativa subestimada para looks de festa: escultural, em cetim e detalhes bordados.

Todo de renda e elevado por babados, olhando esse look da Emma Chamberlain, dá para imaginar uma noiva usando para cerimônia civil ou uma festa menos pomposa.

Ele pode ser curtinho e marcar a cintura, remetendo à vibe 60s. O acabamento de pelúcia enriquece as peças.

Aliás, Kendall Jenner é fã e nos mostra uma outra forma de aderir: saia na altura do joelho de cintura baixa com jaqueta cropped, super 90s e sem esforço.

O clima Wall Street ganha update, como demonstrou Hailey Bieber em modelo sob medida da Calvin Klein, o truque para fugir do ar demasiadamente sério é deixar alguns botões abertos, criando um desenho diferente.

O tailleur vai bem usado aberto com camisa por baixo; uma blusa também funcionaria. Usar o casaco como terceira peça amplia a versatilidade do conjunto.

Botões trabalhados e corte boxy remetem ao glamour oitentista e deixam a produção mais especial.

A atitude faz toda diferença; optar por um cabelo mais bagunçadinho e acessórios modernos quebra aquele espírito antigo e deixa tudo mais natural e cool.

A estampa vichy tem caráter retrô, mas o decote profundo adiciona uma feminilidade um pouco subversiva.

Um jeito interessante de deixar o visual menos sério é montar a sua própria versão do tailleur, escolhendo saias e blazers diferentes, variando tons, texturas ou estampas. O ato permite que você adapte a tendência, automaticamente deixando a composição com a sua cara.
