Duas vezes por ano, em janeiro e junho, buyers, imprensa, celebridades, influenciadores e clientes se reúnem em cidades europeias para conferir o que marcas e estilistas do segmento masculino propõem para a próxima estação. A temporada primavera/verão 2027 começa na Itália, com paradas em Florença e Milão, até chegar a Paris para o grand finale.

Aproveitando o gancho, a seguir, a gente conta tudo o que você precisa saber sobre as semanas de moda masculina.
as origens
As coleções voltadas aos homens nem sempre tiveram um calendário próprio. Durante muito tempo eram apresentadas em feiras comerciais ou ao lado dos desfiles femininos. Porém, com o passar dos anos, a indústria percebeu que os dois mercados se comportavam de maneiras distintas: os compradores eram diferentes, os ciclos de produção seguiam ritmos próprios e cada segmento tinha demandas específicas. Além disso, a moda e o perfil de consumo masculino costumavam evoluir de forma mais lenta, favorecendo a criação de uma agenda independente.
O cenário começou a se reorganizar na Itália, durante a década de 70. O ponto de partida foi a Pitti Uomo, criada em 1972, em Florença. O evento é uma feira de varejo e negócios, não exatamente uma semana de moda, mas se tornou destino obrigatório para profissionais da indústria desde então.
Milão veio logo depois, em 1979, com a Milano Moda Uomo, impulsionada pelo sucesso de uma nova leva de designers como Giorgio Armani e Gianni Versace. Em seguida, Paris também aderiu, e a primeira semana de moda francesa dedicada exclusivamente aos homens aconteceu em 1984.
as diferenças entre cada cidade
Pitti Uomo
Como já explicado, a Pitti é, na verdade, uma feira de negócios realizada em Florença, berço do savoir-faire artesanal italiano. A histórica Fortezza da Basso se torna palco do que muitos consideram o evento mais importante do calendário masculino. Ao contrário das fashion weeks tradicionais, desfiles são raros, mas é lá que compradores descobrem marcas, lojas fazem pedidos e profissionais do setor trocam ideias. Também é mega famosa pelos cliques de street style que exibem o melhor do estilo masculino durante cada edição.
Milan Men’s Fashion Week
Símbolo máximo da alfaiataria e do luxo made in Italy, tem grande peso comercial e é ancorada por marcas emblemáticas que traduzem a versatilidade e a excelência da visão italiana. Os desfiles mais aguardados são exemplos perfeitos: de um lado, a modernidade intelectual da dupla Miuccia Prada e Raf Simons (que fechou sua icônica marca própria para se dedicar inteiramente à missão); do outro, a impecabilidade clássica da Armani.
Paris Men’s Fashion Week
Assim como na feminina, Paris é o epicentro onde tudo acontece. A semana parisiense é campeã no quesito cobertura da imprensa internacional, número de celebridades presentes e concentração dos principais conglomerados de luxo, com maisons como Dior (foi lá que Jonathan Anderson fez seu debut no ano passado), Louis Vuitton e Hermès. O lado avant-garde também se destaca, com nomes como Rick Owens e Comme des Garçons, além de contar com marcas cool como Auralee e Lemaire.

por que você deveria prestar atenção nelas
Algumas das marcas e designers mais interessantes dos dias de hoje se encontram no segmento masculino. Lógico que os nomes tradicionais continuam por lá, mas muitas inovações e ideias vêm ganhando vida nesse mercado. É o caso do ganhador do último LVMH Prize, Soshiotsuki, que traz um olhar renovado para a alfaiataria, e de Grace Wales Bonner, uma das estilistas mais brilhantes da geração atual, que é a nova diretora criativa da linha masculina da Hermès. Sua estreia à frente da maison está marcada para janeiro de 2027, durante a Paris Men’s Fashion Week.
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A temporada masculina se tornou um termômetro de transformações mais amplas relacionadas a luxo, consumo, tecnologia e lifestyle.
A ascensão do genderless fez com que as fronteiras entre moda masculina e feminina ficassem cada vez mais próximas e intercambiáveis. Os consumidores vêm se importando menos com segmentos específicos, optando por comprar peças de que gostam independentemente do gênero proposto.
Em consequência disso, algumas marcas que não possuem oficialmente linhas femininas ou que preferem focar primordialmente em roupas para homens optam por realizar desfiles mistos durante a men’s fashion week.
Inclusive, a divisão tem se tornado menos rígida como um todo, com diversas marcas elegendo formatos híbridos. Gucci e Saint Laurent são exemplos de grifes que vira e mexe apresentam suas propostas para homens e mulheres ao mesmo tempo.
Além disso, as coleções funcionam como preview. Como diversas marcas contam com o mesmo diretor criativo para as linhas masculinas e femininas, é possível identificar temas e tendências que vão surgir meses depois nos desfiles voltados às mulheres.
Por fim, a prova da relevância também está nos números: segundo estimativas, o mercado global de menswear deve movimentar cerca de US$ 713,6 bilhões em 2026 e ultrapassar os US$ 936 bilhões até 2033. O crescimento reflete uma mudança que a indústria finalmente vem reconhecendo: o potencial de um território que, durante décadas, recebeu menos investimento criativo do que o feminino. A ideia de que homens priorizam funcionalidade e praticidade é válida. Ternos bem cortados e camisas clássicas sempre estarão disponíveis, mas a demanda vem se expandindo, e a multiplicação de referências, perspectivas e formas de consumo eleva a interpretação da moda masculina para além do guarda-roupa tradicional.
